A campanha de Augusto Cury passou a concentrar a maior parte das impressões de seus anúncios no Nordeste depois do início oficial da disputa presidencial. A região respondeu por 54,6% das exibições, ante 31,1% no período de pré-campanha. No mesmo intervalo, a participação do Sudeste caiu de 44,1% para 19,7%.
Os registros da Biblioteca de Anúncios da Meta também mostram que pessoas de 18 a 24 anos formaram o principal público das peças patrocinadas. Essa faixa respondeu por 35,8% das impressões estimadas desde o começo da campanha, seguida pelo grupo de 25 a 34 anos, com 32,3%.
Distribuição por idade
A estratégia mudou em relação à pré-campanha. O grupo de 25 a 34 anos, que concentrava 28,4% das impressões, deixou de liderar a distribuição. Entre pessoas de 18 a 24 anos, a participação passou de 21,3% para 35,8%.
As demais faixas tiveram redução proporcional. O público de 35 a 44 anos representou 14,8% das impressões, contra 19,6% anteriormente. Entre 45 e 54 anos, a participação ficou em 8%, ante 13,9%. O grupo de 55 a 64 anos respondeu por 5,4%, enquanto pessoas com 65 anos ou mais ficaram com 3,5%.
Na faixa de 18 a 24 anos, as mulheres concentraram 19,3% das exibições e os homens, 16,5%. Entre os eleitores de 25 a 34 anos, foram 16,6% para mulheres e 15,7% para homens.
Investimentos e conteúdo promovido
Cury informou ter desembolsado pelo menos R$ 116 mil para impulsionar conteúdos em plataformas da Meta neste ano. Entre 25 e 31 de agosto, o gasto registrado em anúncios foi de R$ 43.926. A prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral apontou uma despesa de R$ 50 mil com impulsionamento em 20 de agosto. Até 31 de agosto, a Meta registrava R$ 43,9 mil na plataforma.
O conteúdo que recebeu o maior investimento foi um vídeo com um trecho da participação do candidato no primeiro debate presidencial, realizado em 28 de agosto. No material, Cury fala sobre sua trajetória, defende a formação de uma equipe de governo e pede apoio nas redes sociais.
Participaram do debate Cury, Ronaldo Caiado e Renan Santos. Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro não compareceram. Naquele dia, Cury chegou a anunciar que não participaria, mas entrou na emissora e voltou atrás antes do evento.
A propaganda eleitoral paga na internet é permitida pelo Tribunal Superior Eleitoral apenas na modalidade de impulsionamento. A Justiça Eleitoral proíbe o uso desse recurso para divulgar conteúdo negativo sobre adversários.
Desempenho nas pesquisas
Nas duas pesquisas Quaest divulgadas em 14 de agosto e 2 de setembro, Cury passou de 2% para 10% das intenções de voto. Na pesquisa mais recente, apareceu em terceiro lugar, com 10%, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva tinha 37% e Flávio Bolsonaro, 29%.
O melhor resultado de Cury por faixa etária foi entre os jovens, com 14%. Entre eleitores com 60 anos ou mais, marcou 3%; na faixa de 35 a 59 anos, alcançou 10%. Regionalmente, teve 11% no Nordeste, 10% no Sudeste e no Sul e 8% no Centro-Oeste e Norte.
Entre 14 e 27 de agosto, Cury ganhou 1,8 milhão de seguidores nas redes sociais, conforme levantamento do Instituto Democracia em Xeque. O candidato negou ter utilizado robôs ou contratado influenciadores para aumentar artificialmente o alcance de sua campanha. “Não tem história de robô”, afirmou.
No mesmo período, entre 30 de junho e 31 de agosto, Luiz Inácio Lula da Silva gastou R$ 1,1 milhão com impulsionamento. A página de Flávio Bolsonaro não tinha gastos registrados na Biblioteca de Anúncios da Meta.


