A criação de um código de ética específico para ministros do Supremo Tribunal Federal tem o apoio de 45% dos brasileiros, segundo pesquisa Datafolha. Desse total, 23% são totalmente favoráveis à proposta e 23% apoiam a ideia em parte. A oposição reúne 33%: 18% são totalmente contra e 15% parcialmente contrários. Outros 5% não são a favor nem contra, e 17% não souberam responder.
A proposta está entre as prioridades de Edson Fachin na presidência do tribunal. O objetivo é estabelecer regras para conflitos de interesse, normas de conduta, transparência e consensos internos. Em fevereiro, Fachin indicou Cármen Lúcia como relatora da iniciativa. A proposta enfrentou resistência dentro da corte e dividiu até ministros favoráveis a sua aprovação.
Condutas avaliadas
O levantamento também questionou os eleitores sobre seis comportamentos de ministros durante o exercício do cargo. O maior nível de rejeição aparece na possibilidade de um ministro julgar o processo de uma pessoa cujo advogado seja seu parente: 88% consideram a prática inaceitável.
Para 85%, também é inaceitável aceitar convites para eventos pagos por empresas que tenham ações em julgamento no tribunal. Tomar decisões que beneficiem ou prejudiquem candidatos à Presidência durante o período eleitoral é rejeitado por 82%.
As condutas com menor rejeição, embora ainda consideradas inaceitáveis pela maioria, são ser sócio de empresa privada durante o mandato e receber pagamentos por palestras de empresas privadas, ambas com 78%. Dar entrevistas ou opiniões públicas sobre processos em julgamento é rejeitado por 71%.
Avaliação do tribunal
A avaliação negativa do trabalho dos ministros chegou a 47%, ante 40% em maio deste ano. É o maior índice da série histórica iniciada em 2019. A parcela que considera o desempenho da corte positivo ficou em 18%, mesmo percentual registrado em dezembro de 2019, até então o menor da série. Outros 31% avaliam o trabalho como regular, e 4% não opinaram.
Há diferença significativa entre os eleitores de Lula e os de Flávio Bolsonaro. Entre os primeiros, 32% classificam o trabalho dos ministros como ótimo ou bom, enquanto o percentual é de 6% entre os eleitores de Flávio. Na avaliação ruim ou péssima, os índices são de 24% entre eleitores de Lula e 69% entre os de Flávio.
A pesquisa foi realizada de terça (22) a quarta (23), com 2.002 eleitores abordados pessoalmente em pontos de fluxo populacional. A margem de erro máxima é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Os dados estão no sistema do Tribunal Superior Eleitoral, sob o registro BR-00304/2026.
Suspeitas sobre o Banco Master
O Datafolha também perguntou se os entrevistados conheciam suspeitas que ligam ministros do STF ao caso Banco Master. Do total, 77% disseram estar informados e 23% responderam que não. Entre os que afirmaram conhecer as suspeitas, 68% acreditam que houve envolvimento de ministros, 2% discordam e 7% não souberam responder.
As suspeitas incluem revelações sobre o resort Tayayá e Dias Toffoli, que era relator das investigações do Master no Supremo, além de um contrato da esposa de Alexandre de Moraes com a instituição financeira. Relatórios da Polícia Federal e do Conselho Nacional de Justiça também relacionam Kassio Nunes Marques a articulações que poderiam beneficiar Daniel Vorcaro em decisões sobre dívidas judiciais federais. André Mendonça aparece em mensagens atribuídas a Vorcaro e afirmou que o encontro com o banqueiro foi uma audiência formal, realizada em seu gabinete.
Em uma consulta sobre efeitos políticos, 33% disseram que a atuação dos ministros prejudica mais do que beneficia a candidatura de Flávio Bolsonaro. Para 23%, o presidente Lula é mais prejudicado do que beneficiado pelo STF.


