A pesquisa mais recente do Datafolha mostra que 34% dos brasileiros associam à esquerda a maioria dos políticos envolvidos no caso Master. A direita foi mencionada por 27%, enquanto 10% apontaram políticos de centro.
O levantamento, divulgado nesta sexta-feira (18), também registrou 13% de respostas indicando políticos de todos os espectros. Outros 16% disseram não saber. Não houve registro de entrevistados que não relacionassem o escândalo a algum grupo político: essa opção ficou em 0%.
Comparação com abril
O instituto ouviu 2.001 pessoas entre 15 e 17 de setembro, em 125 municípios. A margem de erro da amostra total é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04029/2026.
Na rodada anterior, feita de 7 a 9 de abril, 38% diziam que a esquerda era o grupo mais envolvido. A direita aparecia com 20%, enquanto centro e todos os espectros tinham 10% cada. Na ocasião, 22% afirmaram não saber responder.
Os números atuais mantêm a esquerda como o campo político mais associado ao caso, embora a distância em relação à direita tenha diminuído na comparação com abril.
Citações políticas e investigações
Entre uma rodada e outra, o caso envolveu referências a autoridades públicas, parlamentares e ministros do Supremo Tribunal Federal. Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, aparece no centro das investigações mencionadas no levantamento.
Em maio, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi associado ao episódio chamado de “Dark Horse”. Uma mensagem localizada pela Polícia Federal indicaria negociação de pelo menos US$ 24 milhões para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o texto, foram pagos no mínimo US$ 12,3 milhões. Flávio é investigado por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.
No mês seguinte, Jaques Wagner (PT-BA), então líder do governo Lula no Senado, foi alvo de uma operação da Polícia Federal por suspeita de recebimentos ligados ao banco. Ele deixou a liderança no fim de junho.
O caso também alcançou o Supremo. A suposta ligação do ministro Alexandre de Moraes com Vorcaro foi analisada em sessão na terça-feira (15), interrompida após pedidos de Gilmar Mendes e Flávio Dino. Dino pediu vista, suspendendo a discussão. O julgamento envolvendo André Mendonça, relacionado à relatoria do caso Master, foi previsto para a terça-feira (23), mas a sessão acabou adiada por Edson Fachin, presidente da Corte.
Além de Flávio Bolsonaro e Jaques Wagner, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo de busca e apreensão. Cláudio Castro (PL), ex-governador do Rio de Janeiro, é investigado pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento em repasses do Rioprevidência para o Banco Master.


