A escolha dos participantes levou em conta partidos e federações com representação mínima de cinco parlamentares no Congresso ou com pelo menos 5% de intenções de voto na última pesquisa Quaest. No debate entre candidatos ao Senado por Mato Grosso do Sul, realizado nesta sexta-feira (4), participaram Beto do Movimento (PSOL), Soraya (PSB), Valter da Comagran (PRD) e Vander Loubet (PT). Capitão Contar e Reinaldo Azambuja, ambos do PL, foram convidados, mas recusaram.
Os seis temas principais foram definidos antes do encontro, e a ordem das discussões, das cadeiras e das considerações finais foi sorteada. Cada participante teve 15 minutos para administrar durante o debate, com intervenções de até 1 minuto e 30 segundos. No encerramento, os candidatos tiveram um minuto para falar.
Emendas e relação entre os Poderes
Os quatro candidatos defenderam a manutenção das emendas parlamentares, mas associaram a liberação dos recursos a mecanismos de transparência e fiscalização. Vander Loubet afirmou que destinou verbas a municípios, instituições e universidades ao longo de seus seis mandatos e defendeu a identificação da origem e do destino do dinheiro.
Soraya disse ter enviado recursos aos 79 municípios de Mato Grosso do Sul e sustentou que parlamentares devem acompanhar a execução. Valter da Comagran defendeu a participação dos prefeitos na definição dos investimentos e afirmou que as emendas não devem servir como moeda de troca política. Beto do Movimento citou comunidades indígenas, quilombolas, assentamentos, cooperativas e grupos de mulheres produtoras rurais ao defender a continuidade dos repasses e uma fiscalização maior.
Na discussão sobre Executivo, Legislativo e Judiciário, os candidatos defenderam independência e diálogo, com diferenças sobre fiscalização e responsabilização. Soraya disse que o Senado pode analisar pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, desde que sejam observados o direito de defesa e o contraditório. Vander Loubet propôs um código de ética e conduta para o Judiciário. Valter criticou a postura que considera passiva do Senado, enquanto Beto do Movimento defendeu a harmonia entre os Poderes.
Fronteiras e proteção ambiental
O combate ao crime organizado foi associado à segurança das fronteiras. Vander Loubet propôs uma Academia de Polícia do Mercosul para qualificar policiais brasileiros e paraguaios e defendeu a integração das forças. Beto do Movimento afirmou que o estado precisa cuidar melhor das áreas fronteiriças. Soraya defendeu o combate ao PCC e às demais facções, além da valorização dos servidores da segurança. Valter sugeriu a atuação conjunta da Receita Federal, da Polícia Federal e de outras forças, com uso de inteligência artificial.
No debate sobre o Pantanal, Soraya afirmou que 90 mil hectares foram queimados neste ano, quatro vezes mais que no mesmo período de 2025, e mencionou R$ 53 milhões destinados a levar água às comunidades indígenas Jaguapiru e Bororó, em Dourados. Valter defendeu prevenção, fiscalização e incentivos permanentes. Beto do Movimento citou dificuldades de acesso à água na Aldeia Bororó e apoiou a demarcação de terras indígenas. Vander Loubet destacou os quatro biomas de Mato Grosso do Sul: Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica e Chaco.
Violência contra a mulher e emprego
As propostas para enfrentar a violência contra a mulher incluíram tratamento psicológico, novas delegacias, integração da rede de proteção, fortalecimento das Casas da Mulher Brasileira e uso de tecnologia para denúncias. Valter defendeu medidas preventivas e delegacias em cidades mais distantes. Vander Loubet propôs ações conjuntas entre governo federal, Estado e municípios. Soraya mencionou a destinação de recursos para 10 Salas Lilás e disse que não acompanhou a aplicação das verbas. Beto do Movimento afirmou que os filhos das vítimas também são afetados.
No bloco sobre trabalho, Soraya, Vander Loubet e Beto do Movimento defenderam o fim da escala 6x1. Soraya propôs cinco dias de trabalho por dois de descanso e citou agronegócio, logística, indústria, comércio e serviços. Vander Loubet associou a geração de empregos à qualificação profissional e ao fortalecimento dos institutos federais. Valter defendeu que mudanças na jornada considerem cada setor e propôs programas específicos para jovens com autismo.
O tema livre reuniu propostas sobre rodovias, ferrovias, industrialização, reforma agrária e saúde pública. Valter defendeu a modernização da infraestrutura e da produção local. Vander Loubet falou em retomada das ferrovias e ampliação do transporte intermodal. Beto do Movimento citou problemas em Campo Grande e no interior, famílias à espera de lotes da reforma agrária e dificuldades relacionadas a medicamentos, médicos e atendimento na Santa Casa.


