Hana Ghassan (MDB) e Dr. Daniel (Podemos) chegam à disputa pelo Governo do Pará tecnicamente empatados, segundo a pesquisa mais recente da Genial/Quaest. O levantamento de 27 de julho aponta 24% das intenções de voto para Hana no primeiro turno e 20% para Daniel, com margem de erro de três pontos percentuais. No segundo turno, os dois também aparecem próximos: 36% para a governadora e 35% para o adversário.
Mário Couto (DC) aparece em seguida, com 11%. Araceli Lemos (PSOL), Cleber Rabelo (PSTU) e Raquel Brício (UP) registram 2% cada um.
A campanha é marcada por propostas voltadas ao agronegócio e pela busca de apoio nas regiões sul e sudeste do estado, onde pecuária, mineração e garimpo têm peso econômico e social. Os dois principais candidatos defendem benefícios fiscais e investimentos em rodovias para esse eleitorado.
Divisão regional e alianças
O Pará reúne comportamentos eleitorais distintos entre o norte e o sul. “O estado do Pará é muito dividido”, afirma Carlos Augusto da Silva Souza, professor de ciências sociais da UFPA. Segundo ele, o Marajó e a região norte tendem a ser mais identificados com Lula, enquanto o sul, associado ao agronegócio e à mineração, se aproximou mais de Jair Bolsonaro na eleição anterior.
No segundo turno de 2022, Lula obteve 50,28% dos votos válidos em Belém, contra 49,72% de Jair Bolsonaro (PL). Em Marabá, no sudeste paraense, Bolsonaro alcançou 53,99%, ante 46,01% de Lula.
Apesar dessa divisão, PT e PL ocupam papel secundário nas chapas ao governo. Hana tem como vice Dirceu Ten Caten (PT), que aparece pouco no material de campanha. Ellayne D'Almeida (PL), vice de Dr. Daniel, também tem presença discreta.
A eleição presidencial se manifesta com mais força na disputa pelo Senado. Helder Barbalho (MDB) lidera as pesquisas, seguido pelo Delegado Eder Mauro (PL). Helder conta com o apoio da família Barbalho e renunciou ao governo em abril para disputar uma vaga no Senado. Hana, que era sua vice, assumiu o cargo.
Dr. Daniel foi prefeito de Ananindeua pelo PSB e mudou de partido neste ano, ao ingressar no Podemos. Ele não se associou diretamente a Flávio Bolsonaro, embora o senador tenha participado de uma agenda no Pará em junho e prometido facilidades para empresários da agricultura.
Suposto vídeo íntimo
A campanha de Dr. Daniel também tenta administrar a divulgação, nas redes sociais, de um suposto vídeo íntimo que revelaria um relacionamento extraconjugal. A mulher do candidato, Doutora Alessandra Haber (Podemos), disputa uma vaga de deputada federal e passou a acompanhá-lo em agendas públicas e vídeos.
Em uma publicação de agosto, ao lado de Daniel, Alessandra afirmou que o episódio era uma “forma baixa de fazer política”. A campanha do candidato atribui a divulgação a integrantes da oposição. A campanha de Hana não incorporou o caso à sua estratégia.
Aliados de Daniel dizem que a repercussão ampliou a circulação do nome do ex-prefeito de Ananindeua em perfis voltados a celebridades. O TRE-PA determinou que a Meta removesse publicações sobre o vídeo, sem avaliar a veracidade do conteúdo, e proibiu a plataforma de divulgar materiais desse tipo. O Podemos havia recorrido à Justiça sob o argumento de que o caso configurava propaganda eleitoral antecipada negativa.



