As eleições estaduais deste domingo (4) devem reforçar a presença de políticos com experiência em cargos públicos e estruturas partidárias consolidadas. A disputa também tende a ampliar o espaço da direita e de partidos do centrão nos governos estaduais.
A eleição pode ser definida no primeiro turno em até 16 estados e no Distrito Federal. Entre os candidatos mais competitivos estão governadores que buscam a reeleição, ex-governadores e ex-prefeitos.
Direita e centrão
O PL aparece como a legenda de direita com maior número de candidaturas competitivas. Depois de eleger apenas dois governadores em 2022, o partido agora disputa com nomes competitivos em nove estados. A sigla pode vencer ainda no primeiro turno em Santa Catarina, Roraima e Rio Grande do Sul.
A legenda também deve chegar ao segundo turno em colégios eleitorais como Rio de Janeiro e Paraná. Nesses estados, a disputa estadual deve manter mobilizada a base bolsonarista para a eleição presidencial, que caminha para um confronto entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
O Republicanos, que tem dois governadores, pode ampliar sua presença no Sudeste. O partido disputa com chances de vitória em São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.
A federação União Progressista apresenta candidatos competitivos em seis estados e no Distrito Federal. O PP chegou a quatro governadores após a ascensão de vice-governadores e mudanças partidárias. Entre os candidatos que podem vencer no primeiro turno estão Eduardo Riedel, em Mato Grosso do Sul, e Celina Leão, no Distrito Federal, ambos apoiadores de Flávio Bolsonaro. Na Paraíba, Lucas Ribeiro é aliado do presidente Lula.
No União Brasil, Allyson Bezerra, no Rio Grande do Norte, ACM Neto, na Bahia, e Dorinha Seabra, no Tocantins, concentraram suas campanhas nas disputas estaduais e evitaram tomar posição no conflito nacional entre lulistas e bolsonaristas.
Esquerda concentra forças no Nordeste
A esquerda tenta preservar o Nordeste como seu principal reduto eleitoral. Há quatro anos, o PT elegeu quatro governadores, enquanto o PSB reelegeu dois. Agora, no melhor cenário, os partidos de esquerda podem conquistar cinco governos na região.
A disputa, porém, é apertada na Bahia e no Ceará. Os governadores Jerônimo Rodrigues (PT) e Elmano de Freitas (PT) contam com o apoio de Lula para enfrentar os adversários. Em Pernambuco, João Campos (PSB) também aposta no presidente para superar a governadora Raquel Lyra (PSD). No Piauí, Rafael Fonteles (PT) aparece como favorito.
Fora do Nordeste, a esquerda tenta alcançar o segundo turno em quatro unidades da federação com Patrus Ananias (PT-MG), Leandro Grass (PT), Juliana Brizola (PDT-RS) e Requião Filho (PDT-PR). As pesquisas de sábado (3), no entanto, indicam possibilidade de vitória dos adversários no primeiro turno em Minas Gerais, no Distrito Federal e no Rio Grande do Sul.
Disputa entre partidos tradicionais
Os partidos de centro buscam manter a presença histórica nos governos estaduais, padrão observado desde a redemocratização. O MDB tenta continuar no comando de Goiás, Pará, Alagoas e Espírito Santo, embora enfrente um cenário incerto nos três últimos estados.
O PSD, que tem quatro governadores, procura preservar seu espaço. A legenda tenta permanecer à frente dos governos de Pernambuco, Sergipe e Paraná, aparece como favorita no Maranhão, Amazonas e Amapá e apoia a candidatura de Eduardo Paes no Rio de Janeiro.
O PSDB busca recuperar espaço nos estados. Ciro Gomes concorre no Ceará; João Henrique Caldas, em Alagoas; Marconi Perillo, em Goiás; e Vicentinho, no Tocantins.
Entre os primeiros ou segundos colocados nas pesquisas, estão 17 governadores que disputam a reeleição, 9 senadores, 3 ex-governadores, 3 deputados federais, 3 deputados estaduais e 14 ex-prefeitos.
Apenas dois favoritos nunca ocuparam cargos eletivos: Maria do Carmo Seffair (PL), empresária bolsonarista que concorre no Amazonas, e Orleans Brandão (MDB), sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB) e candidato no Maranhão.
O senador Cleitinho, líder nas pesquisas em Minas Gerais, está entre os poucos favoritos sem experiência anterior no Poder Executivo. Ele foi vereador e deputado estadual antes de chegar ao Senado. Os adversários questionam sua experiência, e o candidato minimiza as críticas.
O cenário difere de 2018, quando sete governadores eleitos não tinham experiência anterior na administração pública e disputavam uma eleição pela primeira vez. Quatro anos depois, prevaleceram políticos com trajetória institucional, em um país dividido entre Lula e Flávio Bolsonaro.
A polarização permanece em parte dos estados, mas não organiza de forma uniforme as disputas. No Acre, em Mato Grosso, em Roraima e em Santa Catarina, os dois principais candidatos estão alinhados ao campo bolsonarista. No Nordeste, candidatos de centro-direita evitaram confrontos com Lula, mantiveram neutralidade na eleição presidencial e estimularam o voto cruzado.
Entre todas as unidades da federação, apenas o Rio Grande do Norte tem possibilidade de um segundo turno diretamente disputado entre PT e PL.


