ALEMANHA — Friedrich Merz cancelou a viagem à Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, e convocou o comitê executivo da CDU para uma reunião na noite deste domingo (20). As medidas foram tomadas antes da divulgação dos resultados de duas eleições estaduais que podem influenciar o futuro do primeiro-ministro alemão.
A expectativa é que Merz cobre apoio dos correligionários após a apuração. Embora não esteja nas cédulas, seu governo será avaliado pelo desempenho da CDU e da AfD (Alternativa para a Alemanha), partido de extrema direita que tenta ampliar sua votação.
Disputa no nordeste
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a governadora social-democrata Manuela Schwesig busca a reeleição. Ela reduziu uma desvantagem de mais de dez pontos percentuais em relação à AfD, enquanto Leif-Erik Holm, candidato da legenda, tenta atrair eleitores de centro. “não estão na extrema direita, mas no centro”, costuma dizer Holm sobre os votos que faltariam ao partido.
A CDU enfrenta um risco próprio no estado, considerado um dos mais pobres da Alemanha: pode não atingir a cláusula de barreira de 5%. Isso seria inédito nos 81 anos de existência da sigla. Lideranças locais atribuem a dificuldade a Merz e à sua condução do governo.
A aprovação do primeiro-ministro chegou a 10%, enquanto 88% dos entrevistados se declararam insatisfeitos na última semana. Eleito em 2025, Merz tenta aprovar reformas em um país com a economia estagnada há anos. Entre as propostas estão mudanças na Previdência e cortes em benefícios sociais, medidas que enfrentam resistência política enquanto a AfD amplia suas promessas.
Schwesig também se opôs ao próprio SPD quando a coalizão anunciou o fim da aposentadoria antecipada aos 63 anos para quem tem 45 anos de contribuição. Políticos da CDU aderiram à crítica, preocupados com o impacto eleitoral das decisões do gabinete.
Berlim e o futuro do governo
Na capital, A Esquerda e a CDU aparecem numericamente à frente na disputa. O partido que conquistar a maior bancada do Parlamento terá condições de formar uma coalizão e indicar o prefeito, que também exerce a função de governador da cidade-estado.
Um revés da CDU poderia recolocar em debate uma declaração feita por Merz em 2025, antes da vitória nas eleições federais: “A esquerda acabou”. O colega de partido Stefan Evers disputa o cargo contra Elif Eralp, que conduz uma campanha centrada no custo de vida e se apresenta como “inquilina”.
A possibilidade de dificuldades eleitorais reacendeu discussões sobre a permanência de Merz. Hendrik Wüst, governador da Renânia do Norte-Vestfália, e Markus Söder, governador da Baviera, são citados como possíveis substitutos. Söder estaria se preparando para receber integrantes do SPD na Oktoberfest, em Munique.
Uma eventual troca de primeiro-ministro dependeria de uma eleição no Bundestag, o Parlamento, pela coalizão, ou da formação de um governo minoritário. A convocação de eleições federais é considerada fora de cogitação porque a AfD venceria, segundo o cenário descrito no texto.


