São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00%
Notícia com critério
Política

Flávio Bolsonaro pausa campanha para tentar modificar PEC que acaba com escala 6×1

Senadores bolsonaristas devem pressionar por mudanças na proposta, mas o relator Omar Aziz diz que não pretende alterar o texto aprovado pela Câmara.

Flávio Bolsonaro interrompe campanha presidencial para tentar barrar a PEC da 6×1

Disputa em torno da PEC

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) suspendeu a campanha presidencial nesta terça-feira 1º e cumprirá agenda em Brasília para tentar influenciar a tramitação da PEC que encerra a escala 6×1. O plano do candidato é “construir” uma alternativa ao texto apoiado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e impedir que a redução da jornada de trabalho se torne uma das principais bandeiras eleitorais do petista na etapa final da campanha.

A ofensiva deve atingir o relatório elaborado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), previsto para quarta-feira 2. Senadores bolsonaristas querem pressionar pela incorporação de emendas ao texto. Aziz afirmou que aceita conversar com os colegas e escutar as sugestões, mas não planeja incluir alterações no relatório nem modificar a versão aprovada pela Câmara. Na avaliação do relator, preservar o texto atual também contribui para acelerar o andamento da proposta.

A iniciativa da oposição ocorre no momento em que a PEC encontrou um percurso mais definido no Senado. O texto diminui a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, fixa dois dias de descanso semanal remunerado e preserva a garantia de salário. A proposta ainda elimina o sistema de seis dias trabalhados para um dia de folga.

A estratégia de Flávio tem objetivo eleitoral evidente. Pessoas próximas ao candidato admitem que se limitar a rejeitar o fim da 6×1 é uma posição difícil de defender diante da aceitação da mudança. Pesquisa Quaest divulgada em 15 de julho mostra que 69% dos brasileiros apoiam o fim da escala, enquanto 22% são contra. Para a campanha, permitir que Lula ocupe sozinho esse espaço daria ao presidente a possibilidade de apresentar a direita como contrária a uma medida de forte apelo entre os trabalhadores.

Por essa razão, Flávio começou a apoiar uma proposta apresentada por Rogério Marinho (PL-RN), seu coordenador de campanha. Em lugar de definir constitucionalmente uma nova jornada, a PEC alternativa estabelece um sistema baseado no pagamento por hora trabalhada e na possibilidade de o trabalhador escolher a quantidade de horas e os horários de trabalho. O texto também determina que o que for pactuado entre empregador e empregado prevaleça sobre convenções e acordos coletivos.

Flávio procura definir a ideia como uma defesa da “liberdade de escolha”. Em entrevista concedida à Record, no domingo 30, disse que o trabalhador poderia escolher quanto deseja trabalhar e receber de maneira proporcional às horas cumpridas. Como exemplo, mencionou mulheres que precisam diminuir a jornada por não terem com quem deixar os filhos.

A articulação também integra o plano de Rogério Marinho para dificultar a votação. O líder da oposição no Senado pretende utilizar mecanismos regimentais, como pedidos de vista e debates sobre emendas, além de rejeitar acordos que encurtem os prazos de exame da PEC em dois turnos.

Compromisso com o jornalismo

Muitas pessoas esqueceram o que escreveram, disseram ou defenderam. Nós, não. O compromisso com os princípios do bom jornalismo continua o mesmo.

O combate à desigualdade é importante. A denúncia das injustiças também. Uma democracia digna desse nome importa. Assim como o compromisso com a verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui há mais de 30 anos porque esses princípios importam. Como seus leitores fiéis, seguimos atentos.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.