O governo de Luiz Inácio Lula da Silva adiou a reunião com clubes de futebol que discutiria o veto às apostas de quota fixa, incluindo as bets esportivas e os jogos online. O encontro estava previsto para 29 de setembro de 2026, às 15h, mas ainda não tem nova data.
A reunião havia sido marcada depois que o Executivo anunciou, na sexta-feira (25), a proibição desse tipo de aposta. Foram convidados dirigentes de clubes das Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro, além do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Samir Xaud.
Cinco pessoas ligadas aos clubes e ao governo disseram que houve articulação para reduzir a presença dos dirigentes. O movimento teria sido liderado por Palmeiras e Flamengo, representados por Leila Pereira e Luiz Eduardo Baptista, conhecido como BAP. Os clubes também teriam sido pressionados por empresas de bets e demonstrado resistência a aparecer em fotos com o governo antes do primeiro turno das eleições.
O comunicado enviado pelo governo nesta segunda-feira informou que a mudança ocorreu pela proximidade da data inicial e pelos horários disponíveis para os voos dos participantes, com o objetivo de ampliar a presença no encontro. Um grupo de trabalho sobre o tema foi previsto para substituir a reunião, mas um integrante do governo e outro do setor de apostas afirmaram que não sabiam da existência desse grupo.
Dívidas e patrocínios
A proposta discutida pelo Executivo incluía formas de renegociação das dívidas dos clubes. A maioria das equipes, porém, considera que substituir os patrocínios das bets por um programa de renegociação não seria vantajoso: os contratos geram recursos imediatos, enquanto a renegociação representaria um empréstimo e uma possível melhora financeira futura.
Palmeiras e Flamengo estão entre os clubes de primeiro escalão que menos sofrem com dívidas e foram os mais ativos na mobilização contra o encontro. O governo ainda não tem uma proposta concreta para o programa de renegociação, e parte do Executivo considera que a medida não é urgente.
As apostas de quota fixa foram liberadas durante o governo de Michel Temer, mas não foram regulamentadas pela gestão de Jair Bolsonaro. Mais tarde, o governo Lula decidiu regulamentar o setor e, com o Congresso, incluiu os jogos online, como cassinos e o tigrinho, entre as atividades abrangidas.


