SÃO PAULO — André Janones anunciou a criação de um canal no Instagram depois que o ministro Kassio Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a remoção do canal “Exército do Lula”. A página, mantida pelo deputado federal, reúne mais de 3 milhões de seguidores.
Em vídeo, Janones convocou os apoiadores a migrarem para a nova página e a denunciarem a decisão. Ele afirmou que a medida poderia prejudicar a campanha de Flávio Bolsonaro e disse: “A censura já começou”. O deputado também declarou que os seguidores continuariam mobilizados.
A ordem de Kassio foi tomada após pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que classificou a decisão como uma vitória contra a disseminação de notícias falsas. A equipe do candidato citou alegações de que ele pretendia reduzir aposentadorias, acabar com o Benefício de Prestação Continuada (BPC), cancelar reajustes do Bolsa Família e retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
A campanha também afirmou ter apresentado mensagens, vídeos e áudios nos quais Janones orientava seguidores a compartilhar publicações em massa, inclusive antes de assistir aos conteúdos, para ampliar o alcance nas redes sociais.
Reação de Lula
Durante um ato da esquerda na avenida Paulista, Lula criticou a decisão e afirmou que desconfia do comportamento da Justiça Eleitoral. O presidente disse estar desconfiado da atuação da corte, que, segundo ele, teria bloqueado muitas pessoas ligadas ao grupo político.
“Não vamos aceitar intromissão indevida da Justiça Eleitoral”, afirmou Lula. Ele acrescentou que os advogados deverão pedir explicações ao presidente do TSE, porque teria identificado decisões tendenciosas contra a candidatura.
Kassio Nunes Marques foi indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ao determinar a remoção do canal, o ministro atendeu ao pedido da campanha de Flávio Bolsonaro.
A decisão ocorreu depois de uma determinação do corregedor-geral eleitoral do TSE, Ricardo Villas Bôas Cueva. No sábado (10), Cueva havia dado prazo de 72 horas para que Flávio esclarecesse os pedidos apresentados em uma ação contra Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e Janones.

