NOVA YORK — O presidente Lula afirmou nesta terça-feira (22) que a democracia brasileira pertence aos brasileiros e declarou que o país terá eleições transparentes e competitivas. A fala ocorreu durante o discurso de abertura dos chefes de Estado na Assembleia-Geral da ONU, função tradicionalmente atribuída ao Brasil.
Ao abordar o pleito do próximo dia 4, no qual concorre à reeleição e enfrenta o senador Flávio Bolsonaro (PL), Lula disse que os candidatos terão ampla liberdade de expressão. Também afirmou que alguns usam essa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país.
“Não somos quintal de ninguém”, disse o presidente, em referências reiteradas às interferências externas na América Latina e às ações do governo de Donald Trump, sem mencionar nominalmente os Estados Unidos. Lula afirmou ainda que diferenças ideológicas não devem impedir a integração entre países vizinhos e declarou que a democracia está em xeque.
Temas internacionais
O presidente também tratou do crime organizado e disse que o Brasil está preparado para enfrentar os criminosos, sem terceirizar a responsabilidade pela defesa de suas fronteiras. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas armas”, afirmou.
Lula defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU, órgão que tem cinco membros permanentes com poder de veto, e criticou o que descreveu como fracasso do conselho e imobilismo global. Ele mencionou que, no ano passado, o mundo registrou o maior número de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial.
O discurso incluiu referências ao Oriente Médio, especialmente à situação em Gaza e no estreito de Ormuz, afetado pela guerra no Irã. Lula citou os ataques de Israel e afirmou que gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma do genocídio praticado pelo governo de Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza. Também mencionou civis israelenses mortos em atos terroristas do Hamas.
Lula está em seu terceiro mandato e já discursou dez vezes na Assembleia-Geral. Ele não participou do evento em 2005, durante o escândalo do Mensalão, nem em 2010, quando preparava a campanha da ex-presidente Dilma Rousseff para sucedê-lo.
Antes do discurso, o presidente se reuniu em Nova York com o prefeito Zohran Mamdani e com o senador Bernie Sanders. Também concedeu entrevista à CNN internacional, na qual voltou a chamar Trump de “imperador” e criticou o que classificou como uma guerra econômica em curso no mundo. Após falar no plenário, Lula retornará ao Brasil para seguir com a agenda de campanha.

