BRASÍLIA — Um manuscrito encontrado na casa do senador Ciro Nogueira (PP) será analisado pela Polícia Federal para esclarecer o significado de nomes e números registrados no papel. A corporação considera provável que a sequência numérica corresponda a valores.
O documento tem o título “Câmara” e reúne referências como “Arthur” e “Hugo”. Para os investigadores, os nomes podem indicar o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e o atual presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos). Também são citados Elmar Nascimento (União Brasil-BA), Doutor Luizinho (PP-RJ), Adolfo Viana (PSDB-BA) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).
A busca ocorreu em 7 de maio deste ano, na residência do senador em Brasília, durante a quinta fase da Operação Compliance Zero. O papel estava na churrasqueira. No relatório dos itens apreendidos, a PF afirma que o manuscrito “carece de esclarecimento” e não apresenta informações adicionais sobre seu conteúdo.
Uma funcionária declarou aos investigadores que recebeu o documento de Ciro Nogueira, com a orientação de que o queimasse. Segundo o relato, o senador teria dito que se tratava de um documento antigo e sem serventia. Ela afirmou que não destruiu o papel por falta de tempo.
Além dos nomes associados a Arthur Lira e Hugo Motta, a anotação registra outros nomes acompanhados de números: Altineu (5), Diego (5) e Netinho (5). O único deputado chamado Altineu na Câmara é Altineu Cortes (RJ). A assessoria dele não respondeu.
Elmar Nascimento afirmou que os registros não correspondem a valores, mas a números. “Não tenho nenhuma relação política com Ciro Nogueira, só quem pode explicar isso é ele”, disse. As assessorias de Doutor Luizinho, Adolfo Viana e Isnaldo Bulhões não responderam. A assessoria de Ciro Nogueira informou que não se manifestaria.
Motta negou conhecer o documento e rejeitou a associação de seu nome a irregularidades. Em nota, classificou como “absurda” a vinculação baseada em um papel que, segundo ele, desconhece.
A PF investiga se Ciro Nogueira recebeu vantagens indevidas de Daniel Vorcaro, do Banco Master, para favorecer interesses da instituição no Congresso. A defesa do senador declarou, à época da operação, que ele não participou de atividades ilícitas, e Nogueira disse que a investigação tentava manchar sua honra.
Os achados da operação passaram a estar disponíveis após a retirada do sigilo dos processos do caso Master, na sexta (11), a pedido do presidente do STF, Edson Fachin.


