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Política

Participantes de campanha de 2002 seguem caminhos políticos distintos

Mulheres e filhos que participaram de propaganda de Luiz Inácio Lula da Silva relatam mudanças na vida e escolhas eleitorais atuais.

Participantes de campanha de 2002 seguem caminhos políticos distintos
Foto: Sergio Ranalli/Folhapress

Participantes de uma propaganda eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva exibida em outubro de 2002 passaram a seguir trajetórias políticas diferentes. Alguns mantiveram o apoio ao PT; outros se afastaram do partido ou ainda não decidiram o voto.

A peça foi gravada em uma fazenda na região de Maringá, no noroeste do Paraná. Mulheres grávidas, modelos, mães e crianças atravessavam uma plantação de trigo ao som de “Bolero”, de Maurice Ravel. A produção terminava com uma mensagem sobre o país que seria deixado para a próxima geração.

A gravação e a eleição

Cerca de 50 pessoas participaram do comercial. Nem todas as mulheres estavam grávidas: algumas usavam barrigas de espuma. Cada participante recebeu entre R$ 25 e R$ 40, valores que equivalem hoje a aproximadamente R$ 100 e R$ 160, respectivamente.

A criação foi do publicitário Duda Mendonça (1944-2021), responsável pela campanha de Lula. A estratégia buscava suavizar a imagem do candidato, que concorria à Presidência pela quarta vez, com uma comunicação baseada na conciliação, na aproximação ao centro e no slogan “a esperança vai vencer o medo”.

José Dirceu (PT-SP), que coordenou a campanha, afirmou que a peça combinava emoção e uma perspectiva de futuro. O filme foi estruturado em torno da família, da mulher e do futuro do país.

Com José Alencar (PL-MG) como vice, Lula venceu o primeiro turno e derrotou José Serra (PSDB) em 27 de outubro, com 61,3% dos votos válidos. Foi o primeiro presidente eleito pelo PT.

A família de Juliane

Juliane Souza tinha 26 anos e estava grávida de Gabriela quando aceitou participar da filmagem, a convite da agência que a representava. Modelo e sem atuação militante, ela se emocionou com a produção e votou em Lula naquele ano. “Tinha aquela esperança de que agora vai, agora muda”, afirmou.

Mais de duas décadas depois, Juliane, aos 49 anos, trabalha como motorista de aplicativo em Maringá e não pretende votar novamente em Lula. Ela avalia que a aprovação ao presidente durou “dois ou três anos”, mas ressalta que as mudanças em sua vida não podem ser atribuídas apenas aos governos que se sucederam desde a gravação.

Em 2008, ficou viúva e voltou ao mercado de trabalho. Durante a pandemia, com a redução do número de passageiros, entregou máscaras produzidas pela mãe e transportou pacientes para tratamentos em Curitiba e São Paulo.

Os três filhos chegaram ao ensino superior. Gabriela, que estava na barriga da mãe durante a gravação, tornou-se publicitária; a filha mais velha é biomédica; e o caçula cursa análise e desenvolvimento de sistemas.

Gabriela, 23, também busca segurança financeira. Segundo ela, a família nunca passou fome, mas vive sem tranquilidade, precisando trabalhar continuamente para manter as contas em dia.

Mãe e filha acompanham nomes como Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), embora ainda não tenham definido o voto.

Avaliações diferentes sobre os governos

Outra participante, uma empresária de Maringá que pediu para não ser identificada, afirma que nunca teve vínculo com o PT. Na avaliação dela, o país piorou sob administrações do partido. L., que tinha dois anos quando apareceu no colo da mãe, hoje tem 26 anos e nunca assistiu à propaganda completa.

Ele estudou em escolas públicas desde a creche e ingressou na faculdade com uma bolsa integral do Prouni, o Programa Universidade para Todos, criado no primeiro governo Lula. O programa concede bolsas a estudantes de baixa renda em instituições privadas de ensino superior.

L. diz que foi beneficiado pela mudança de governo e que a família alcançou estabilidade com acesso a programas sociais durante sua infância. Embora acompanhe pouco a política, identifica-se com ideias de centro-esquerda e vê Lula como a opção “menos pior” na eleição presidencial. Também afirma que pautas de inclusão, como educação e trabalho, orientam suas posições.

Tatiana Vanessa Soria, outra participante, trabalhava em uma agência de modelos quando foi chamada para o comercial. Seu filho Rafael, ainda bebê, aparecia em seus braços.

Aos 48 anos, Tatiana é bióloga, mestre, doutora e professora da rede estadual do Paraná. Desde 2002, vota em candidatos do PT nas eleições presidenciais. Durante a pandemia de Covid, incomodada com a condução de Jair Bolsonaro (PL), fez cursos de formação política, estudou autores marxistas e aderiu ao PSOL.

“Eu não quero que eles pensem como eu. Só quero que eles pensem”, diz Tatiana sobre o trabalho em sala de aula. Ela afirma que continua votando no PT por considerar o partido a força eleitoral com maiores possibilidades de vitória e mais próxima de suas ideias.

Entre 2014 e 2015, participou do Ciência sem Fronteiras, programa federal criado no governo Dilma Rousseff (PT). Por meio de um doutorado-sanduíche nos Estados Unidos, recebeu uma bolsa que custeou um ano de estudos fora do país. Rafael frequentou uma escola americana, aprendeu inglês e, depois do ensino médio em uma escola pública de Maringá, passou a cursar uma universidade pública em outra cidade.

Para Tatiana, a trajetória do filho reforça o peso da educação em suas escolhas políticas e sustenta sua avaliação de que foi acertado votar em Lula em 2002.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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