Um documento da Procuradoria-Geral da República (PGR), baseado em investigações da Polícia Federal (PF), aponta que Eduardo Bolsonaro orientou a gestão e o envio de recursos nos Estados Unidos para financiar “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Assinado em julho de 2026 pelo procurador-geral Paulo Gonet, o parecer autorizou a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o financiamento transnacional da produção.
A PF obteve uma captura de tela de uma conversa atribuída a Eduardo Bolsonaro sobre a forma de remeter os valores ao exterior. O documento não informa quem recebeu diretamente a mensagem. No diálogo, Eduardo defendeu que os recursos já estivessem nos Estados Unidos e afirmou que o envio a partir de uma empresa brasileira poderia exigir remessas graduais.
“O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para os EUA é tranquilo.”
A conversa também menciona Altieris Santana, identificado na apuração como diretor do Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas responsável por administrar os valores e transferi-los à produtora Go Up Entertainment.
Valores e empresas sob investigação
A apuração aponta que empresas teriam sido usadas para viabilizar repasses à produção. Em dezembro de 2024, o publicitário Thiago Miranda enviou ao banqueiro Daniel Vorcaro uma minuta de financiamento do filme, então chamado “Capitão do Povo”. O documento previa investimento de US$ 24 milhões, dividido em 14 parcelas.
Em depoimentos, Thiago Miranda relatou pagamentos ao fundo, o uso de uma empresa nas Bahamas por determinação de Vorcaro e a compra de malas destinadas à entrega de dinheiro vivo.
A PF afirmou ao STF que os valores previstos eram incompatíveis com referências do mercado audiovisual nacional e que a diferença justificava a investigação sobre a viabilidade econômica e a finalidade da operação.
O parecer da PGR também registra a participação de Flávio Bolsonaro em tratativas com Daniel Vorcaro sobre repasses, reuniões e o acompanhamento das gravações. Em setembro de 2025, Thiago Miranda informou a Vorcaro que Flávio queria encontrá-lo para apresentar trechos do filme. No dia seguinte, houve uma ligação entre os dois, na mesma ocasião de uma remessa da Entre Investimentos para o fundo nos Estados Unidos.
A investigação deverá esclarecer a origem dos recursos, o uso da Entre Investimentos como intermediária, a função da Havengate Development Fund, os beneficiários finais e a atuação de Flávio e Eduardo Bolsonaro na estruturação, cobrança, execução e destinação dos aportes.
Flávio Bolsonaro negou que os recursos tenham sido destinados a Eduardo e afirmou que o dinheiro foi aplicado integralmente na produção do filme: “Não foi para o Eduardo Bolsonaro. Todos os recursos que foram aportados neste fundo, que é específico para a produção do filme, foram usados integralmente para fazer o filme”. Até a última atualização, não havia resposta da defesa de Flávio Bolsonaro, e Eduardo Bolsonaro não havia sido localizado para comentar.


