SÃO PAULO — O governo paulista concluiu nesta segunda-feira a privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) com uma diferença de pelo menos R$ 4,5 bilhões entre o preço de venda das ações e a cotação atual dos papéis. O valor corresponde a quase um terço dos R$ 14,8 bilhões arrecadados na operação.
Na oferta, cada ação foi negociada por R$ 67. Na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, o mesmo papel passou a valer R$ 87. A estimativa considera a diferença entre esses dois preços e o volume de ações vendido pelo governo estadual.
Amauri Pollachi, especialista em saneamento e recursos hídricos e conselheiro do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (Ondas), criticou a operação. Para ele, a diferença permite que um comprador revenda o papel no mesmo dia com ganho de 30%.
"São quase R$ 5 bilhões que o estado poderia ter embolsado se tivesse vendido as ações pela cotação atual", afirmou Pollachi.
Estimativa baseada no valor potencial
Um estudo do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema), enviado ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), calcula que cada ação poderia valer R$ 103,90. Nessa hipótese, a diferença para o preço de venda chegaria a cerca de R$ 8 bilhões.
O levantamento afirma que a Sabesp, sob controle privado, poderá cumprir os compromissos de investimento previstos para a privatização com um volume menor de recursos do que o estimado pelo governo paulista. Com despesas menores, a empresa teria lucro mais cedo e poderia distribuir mais aos acionistas, o que elevaria o valor dos papéis.
Com a liquidação das operações, a participação do governo de São Paulo caiu de 50,5% para 18%. A Equatorial foi a única empresa interessada em assumir a posição de acionista de referência e comprou 15% da Sabesp pelo preço de R$ 67 por ação. Outros 17% foram distribuídos a investidores, mas a companhia ainda não informou os principais compradores.
A Sabesp passa a ser uma empresa privada, embora o governo estadual mantenha parte do capital. O conselho gestor terá nove integrantes: três indicados pela Equatorial, incluindo o presidente; três escolhidos pelo governo paulista; e três representantes dos demais acionistas.
Entre as metas previstas estão o atendimento de 99% da população com água potável e de pelo menos 90% com coleta e tratamento de esgoto até 2029. As tarifas social e vulnerável, destinadas a inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), terão redução de 10%. A tarifa residencial padrão cairá 1%, enquanto as tarifas comercial e industrial terão diminuição de 0,5%.
Os descontos serão financiados por um fundo abastecido com 30% da arrecadação da privatização e com parte dos dividendos da Sabesp.



