SÃO PAULO — Um relatório da Polícia Civil de São Paulo identificou suspeitas de que recursos públicos do programa WiFi Livre SP tenham sido usados para financiar a produção do filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. O contrato foi firmado por meio do Instituto Conhecer Brasil (ICB).
O documento relaciona o ICB à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme. Karina Ferreira da Gama, que participou da produção, preside o instituto e é sócia da produtora. A investigação aponta que a conexão entre as duas empresas e outras organizações ligadas a Karina está no centro das suspeitas de confusão patrimonial e desvio de recursos.
“Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial e de que os recursos públicos do programa 'WiFi Livre SP' tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme”, afirma o relatório. O documento também menciona o uso de contas de empresas subcontratadas e de organizações sociais administradas pela investigada para a lavagem dos valores.
Contrato e custos
A Polícia Civil afirma que o Tribunal de Contas de São Paulo teria identificado ao menos vinte irregularidades graves no edital que levou à contratação do serviço de internet. Entre os problemas citados está a adoção de critérios genéricos para selecionar uma organização social sem experiência anterior no setor de telecomunicações.
O relatório também aponta falha de origem no processo de seleção e diferença nos custos. A empresa pública municipal Prodam cobrava R$ 230,00 pela implantação de cada ponto e R$ 306,00 pela manutenção mensal. Já o contrato com o ICB estabeleceu R$ 1.800,00 por ponto.
Segundo o documento, durante o período eleitoral de 2024, a instalação foi antecipada por interferência política direta. O programa chegou a 1.605 pontos ativos no final de outubro de 2024. Depois do encerramento da eleição, o ritmo diminuiu: havia 3.200 pontos em junho de 2025, enquanto 1.800 pontos previstos não foram instalados.
Valores pagos
Com base em um balanço, a Polícia Civil calculou que o município deveria ter desembolsado cerca de R$ 43 milhões pelos meses de fornecimento efetivo de internet. As transferências, porém, somaram R$ 69 milhões, segundo o relatório. A diferença de R$ 26 milhões corresponderia a pagamentos por serviços não prestados.


