SÃO PAULO — A Polícia Civil de São Paulo não encontrou a produtora do filme Dark Horse nem o Instituto Conhecer Brasil no endereço indicado como sede das empresas. Durante a busca e apreensão, realizada em 1º de junho na avenida Paulista, os agentes localizaram um coworking com cerca de 200 companhias cadastradas. Nenhuma delas era a produtora procurada.
O endereço aparecia na investigação como sede do ICB, da Go Up Entertainment, responsável pela produção de Dark Horse, e da GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural. As três empresas são ligadas a Karina Ferreira da Gama. O mandado foi autorizado pela Justiça no inquérito que apura o contrato de R$ 108 milhões entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo para o programa WiFi Livre SP.
A investigação verifica se parte dos recursos públicos destinados ao programa foi usada na produção do filme, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Também são apuradas possíveis irregularidades na prestação de contas apresentada pelo instituto ao município.
O que foi encontrado no endereço
De acordo com o relatório da Polícia Civil, os agentes fizeram buscas na sala comercial, mas não localizaram documentos relacionados às empresas. Uma funcionária da GoWork informou que o contrato entre o coworking e o Instituto Conhecer Brasil havia sido cancelado. Segundo ela, a Go Up Entertainment e a GO7 aparentemente nem estavam cadastradas como clientes do espaço.
A diligência buscava computadores, celulares, mídias eletrônicas, livros fiscais, contratos, notas fiscais, faturas, recibos, relatórios de auditoria e outros registros sobre o fluxo financeiro e a execução do contrato. O relatório não registra apreensões no endereço da avenida Paulista. Fotografias mostram a fachada do edifício e o interior da sala comercial.
A apuração também analisa quatro faturas da Make One Lab, que totalizaram R$ 8,5 milhões, além de documentos da Complexsys Soluções Integradas e da JR Feijão que somavam cerca de R$ 2,4 milhões. As notas foram canceladas pelas empresas emissoras, mas apareceram na prestação de contas do ICB. Uma nota de R$ 2 milhões da Complexsys foi cancelada no mesmo dia da emissão e, ainda assim, apresentada para justificar despesas.
A defesa de Karina Gama afirmou que ela nega ter cometido ilícitos, entregou voluntariamente mais de 20 mil páginas de documentos e continuará colaborando com as autoridades. O advogado Ricardo Sayeg disse que o levantamento do sigilo, decidido pelo ministro Flávio Dino, permitirá a análise objetiva dos fatos. A defesa não comentou a ausência das empresas no endereço.
O inquérito apura ainda a contratação de uma empresa de Alex Leandro Bispo dos Santos para instalar pontos de wi-fi em favelas da capital paulista. Órgãos de inteligência da polícia apontaram o empresário como membro relevante do PCC (Primeiro Comando da Capital) no estado. Ele também foi preso por feminicídio.


