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Saúde

Plano para incluir canetas no SUS ainda depende de critérios e preço dos tratamentos

Alexandre Padilha estima gasto anual de R$ 1,5 bilhão, mas público, prazo e custo por paciente ainda não foram definidos.

Plano para incluir canetas no SUS ainda depende de critérios e preço dos tratamentos
Foto: Gabriela Biló/Folhapress

O governo ainda não definiu quem poderá receber canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS), quando a distribuição começará nem qual será o custo médio do tratamento. A estimativa apresentada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, é de uma despesa de R$ 1,5 bilhão por ano para atender milhões de pacientes.

Na quinta-feira (24), o Ministério da Saúde pediu à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) a elaboração de um protocolo para o uso dos medicamentos em pacientes com obesidade. A pasta calcula que 25% da população se enquadra nessa condição.

A área técnica da Conitec deverá propor os critérios de elegibilidade e calcular o custo da distribuição. Entre os possíveis recortes estão o grau da obesidade, a presença de diabetes e outras comorbidades. O pedido do ministério não estabeleceu um público-alvo definitivo.

Custo e escala de compras

Padilha afirmou que a estimativa de R$ 1,5 bilhão considera a possibilidade de obter descontos nas compras públicas e ampliar a produção nacional. Segundo ele, a escala de aquisição do SUS e a fabricação local poderiam reduzir os preços entre 80% e 90%.

“Não estamos falando de incorporar um milagre estético, mas uma medicação que, combinada com outras ações de alimentação, atividade física, certamente poderá ter um impacto muito positivo, inclusive de custos para o sistema de saúde”, disse o ministro.

O Ministério da Saúde também aposta na participação de laboratórios públicos, por meio de parcerias de transferência de tecnologia com farmacêuticas privadas. Padilha afirmou que o objetivo é ampliar a capacidade nacional de produção e evitar problemas de abastecimento.

A expectativa de preços menores está relacionada, segundo o ministro, à entrada de mais de dez canetas com semaglutida no mercado em 2026. A substância é a mesma presente no Ozempic.

Ainda assim, o custo pode limitar o alcance do programa. Se cada tratamento custar R$ 1.000 no ano, o orçamento estimado permitiria atender 1,5 milhão de pacientes. Na análise encerrada em 2025, a Conitec considerou que a oferta de uma caneta custaria mais de R$ 12 mil por ano para cada paciente.

Decisões anteriores da Conitec

A comissão rejeitou três vezes a incorporação das canetas ao SUS nos últimos anos. Em agosto de 2025, negou um pedido da Novo Nordisk, fabricante de Ozempic e Wegovy, ao estimar uma despesa de R$ 6,8 bilhões em cinco anos para atender algumas dezenas de milhares de pacientes.

A farmacêutica apresentou uma nova proposta, agora voltada a um grupo mais restrito: pessoas com obesidade que já sofreram infarto. A empresa estima um público de cerca de 39 mil pessoas, com custo anual entre R$ 500 milhões e R$ 650 milhões.

Padilha afirmou que essa solicitação pode ficar superada pela proposta do governo, que prevê um alcance maior. Entre os possíveis beneficiários estariam pacientes da atenção primária incluídos em programas de emagrecimento, e não apenas pessoas atendidas em protocolos para casos mais graves ou em hospitais.

As análises anteriores da Conitec também apontaram a falta de políticas intersetoriais, como suporte psicológico e acompanhamento físico. A comissão avaliou que a caneta, isoladamente, poderia não ser efetiva como política pública de saúde.

O ministro disse que esse cenário mudou após a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendar as canetas como instrumento estratégico de combate à obesidade. Ele também citou o programa Academia da Saúde, que prevê investimentos na contratação de nutricionistas, educadores físicos e outros profissionais para a rede pública.

As canetas são medicamentos agonistas de GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo corpo e relacionado ao controle da glicose e à saciedade. Elas são indicadas para o tratamento de diabetes e obesidade. Entre as marcas mencionadas estão Ozempic, Wegovy, Ozivy, da EMS, e Mounjaro, da Eli Lilly. Há também medicamentos com tirzepatida e liraglutida. O uso para fins estéticos ou fora da bula, além de versões manipuladas e produtos trazidos do Paraguai, preocupa associações e sociedades médicas.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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