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Saúde

Eletroacupuntura é avaliada como opção complementar para neuralgia pós-herpética

Ensaio com 448 pacientes registrou redução da dor após quatro semanas, mas pesquisadores apontam limites e necessidade de novos estudos.

Eletroacupuntura é avaliada como opção complementar para neuralgia pós-herpética
Foto: SecondSide/Adobe Stock

A eletroacupuntura reduziu a necessidade de analgésicos e levou uma parcela maior de pacientes a diminuir ou interromper algum medicamento em um ensaio clínico sobre neuralgia pós-herpética. O estudo, publicado no JAMA Neurology, acompanhou 448 pessoas e comparou a técnica com um procedimento simulado.

Resultado observado

Depois de quatro semanas, 46,7% dos participantes que receberam eletroacupuntura tiveram queda de pelo menos 30% na intensidade da dor. No grupo submetido ao procedimento simulado, o índice foi de 24,3%.

O neurologista Marcel Simis, do Einstein Hospital Israelita, afirma que esse patamar representa uma melhora percebida por pacientes com dor crônica, mas não equivale ao desaparecimento do sintoma. Ele também destaca a resposta registrada entre aqueles que passaram pelo procedimento simulado.

A técnica foi aplicada durante 30 minutos, cinco vezes por semana, em um total de 20 sessões ao longo de um mês. Pares de agulhas eram conectados a um aparelho que emitia pulsos elétricos de baixa frequência. A intensidade aumentava até produzir uma contração muscular discreta na área estimulada.

Dor depois do herpes-zóster

A neuralgia pós-herpética pode surgir mesmo depois do desaparecimento das lesões na pele. Ela afeta entre 10% e 18% das pessoas que desenvolvem herpes-zóster, também conhecido como cobreiro. A doença é causada pelo vírus da catapora, que pode permanecer adormecido no organismo e voltar a se manifestar anos depois, sobretudo com o envelhecimento ou a redução da imunidade.

A inflamação provocada pelo vírus pode lesionar fibras nervosas. Com isso, o paciente pode apresentar queimação, pontadas ou choques, além de perda de sensibilidade. Em alguns casos, o contato com roupas ou lençóis desencadeia dor intensa.

O tratamento busca controlar o sintoma e diminuir seu impacto no sono, no humor e nas atividades diárias. Entre as alternativas estão gabapentina, pregabalina, alguns antidepressivos e aplicações de lidocaína ou capsaicina na pele. Os efeitos adversos podem dificultar o uso desses recursos, especialmente entre idosos.

Limites da evidência

Os benefícios observados permaneceram durante o mês de acompanhamento posterior ao tratamento, sem registro de eventos adversos clinicamente importantes. O seguimento, porém, foi curto, e todos os participantes eram chineses. Por isso, são necessários novos estudos com outras populações.

A hipótese é que a estimulação elétrica altere a transmissão dos sinais dolorosos e ative mecanismos naturais de controle da dor. Marcel Simis ressalta que a técnica não regenera o nervo e pode atuar mais no processamento da dor pelo sistema nervoso do que na lesão nervosa.

A eletroacupuntura não substitui os tratamentos convencionais. Para o neurologista, seu uso mais adequado atualmente é como complemento, sobretudo quando os medicamentos não controlam suficientemente a dor ou causam efeitos adversos. Ainda não há estudos suficientes para afirmar que a técnica seja tão eficaz quanto os remédios ou superior a eles.

A vacinação é a principal forma de prevenção do herpes-zóster. No Brasil, a vacina recombinante é indicada para pessoas a partir de 50 anos e para indivíduos maiores de 18 anos com comprometimento da imunidade ou maior risco de desenvolver a doença. O imunizante está disponível apenas na rede particular.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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