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Saúde

Cirurgia reduz dor de colombiana que levou pedido de eutanásia à Justiça

Melisa Gaona teve melhora após operação no fim de 2025, mas segue com diagnósticos e tratamentos em busca de alívio duradouro.

Cirurgia reduz dor de colombiana que levou pedido de eutanásia à Justiça
Foto: Arquivo Pessoal

Uma cirurgia realizada no fim de 2025 retirou focos de endometriose e melhorou significativamente o quadro de Melisa Gaona, colombiana de 26 anos que havia pedido eutanásia após anos de dor. O sofrimento, porém, não desapareceu. Ela continua em busca de tratamentos e não descarta fazer um novo pedido caso a dor volte a ser insuportável.

Melisa convive com endometriose desde a infância. A doença inflamatória crônica ocorre quando um tecido semelhante ao que reveste o útero cresce fora dele. No caso dela, atingiu o estágio mais grave, com comprometimento de órgãos e da rotina. Os sintomas se intensificaram na primeira menstruação, aos 10 anos, mas o diagnóstico formal só foi confirmado em 2024.

Após cirurgias, medicamentos e internações sem alívio duradouro, ela formalizou o pedido de eutanásia em 2025, quando estava internada. A solicitação foi negada em julho daquele ano por uma junta médica de um hospital de Bogotá. A justificativa, segundo Melisa, foi que a dor não atendia aos critérios legais e que ainda havia tratamentos a serem tentados.

Pedido negado e ação judicial

A Colômbia despenalizou a eutanásia em 1997 e regulamentou o procedimento em 2015. Em 2021, a Corte Constitucional retirou a exigência de que o paciente estivesse em fase terminal. A legislação passou a admitir, em tese, pedidos de pessoas com doença grave e incurável que provoque sofrimento intenso. O suicídio assistido foi descriminalizado em 2022.

A endometriose é reconhecida na Colômbia como doença crônica, progressiva e debilitante pela Lei 2338. Com acompanhamento jurídico do DescLAB, Melisa levou o caso à Justiça por meio de uma ação de tutela, usada no país por pacientes que têm o procedimento recusado.

Para a advogada Luciana Dadalto, presidente da associação Eu Decido, o pedido não preenchia o requisito de irreversibilidade porque os tratamentos possíveis ainda não haviam sido esgotados. A cirurgia posterior trouxe algum alívio, embora não tenha eliminado a dor.

Diagnóstico tardio e impacto na rotina

Melisa relata que passou por hipóteses como apendicite, câncer e transtornos psicológicos. Também ouviu que cólicas eram comuns e foi chamada de hipocondríaca. Ela deixou de trabalhar, tem dificuldade para dormir e afirma que os medicamentos, em alguns dias, a deixam anestesiada.

A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 190 milhões de mulheres e meninas em idade reprodutiva convivam com endometriose no mundo, aproximadamente uma em cada dez. Estudos citados no texto indicam intervalo médio de seis a dez anos entre os primeiros sintomas e a confirmação da doença.

Raquel Magalhães, ginecologista especializada em endometriose do Hospital Nove de Julho, afirma que o diagnóstico costuma demorar, com média de oito anos de atraso, quatro cirurgias mal indicadas e dez ginecologistas até o tratamento adequado. Segundo ela, a doença tem tratamento na imensa maioria dos casos, especialmente quando há cirurgia bem executada, acompanhamento multidisciplinar e atenção específica à dor.

Dor crônica e morte assistida

O neurocirurgião Pedro Henrique Cunha, que coordena o grupo de dor do Hospital Samaritano Higienópolis, afirma que declarações sobre querer parar de sentir dor geralmente expressam o limite de alguém que perdeu funcionalidade, autonomia, sono, trabalho, vínculos e esperança de melhora. Para ele, a dor crônica pode se tornar uma doença por si só e exige avaliação cuidadosa antes de qualquer discussão sobre morte assistida.

Cunha defende verificar se o paciente teve acesso a centro especializado, equipe multidisciplinar e segunda opinião. A advogada Luciana Dadalto diferencia o sofrimento de quem ainda não recebeu todos os cuidados possíveis daquele que persiste após o esgotamento das alternativas. Para ela, a morte assistida não deve substituir políticas públicas de saúde.

No Brasil, eutanásia e suicídio assistido são proibidos. Melisa criou a FECCUM —Fundación de Endometriosis Colombia y Cuidado de la Mujer— para reduzir o tempo até o diagnóstico, informar pacientes e profissionais de saúde e formar uma rede de cuidado. A cirurgia que trouxe melhora foi realizada no exterior, financiada por campanha de financiamento coletivo e doações.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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