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Saúde

Torção ovariana levou estudante a perder ovário após três dias sem diagnóstico

Mariana Soares relata que teve sintomas desde a infância e enfrentou atendimentos sem exames antes de descobrir a torção.

Torção ovariana levou estudante a perder ovário após três dias sem diagnóstico
Foto: Alexandre Rezende/Folhapress

A estudante Mariana Soares, 23, perdeu o ovário e a trompa esquerdos aos 17 anos, depois de uma torção ovariana que só foi confirmada três dias após o início da dor. O prazo para tentar reverter esse tipo de torção é de até 24 horas, conforme o relato da jovem.

Em abril de 2021, Mariana acordou com uma dor intensa e procurou atendimento. Recebeu medicamentos, incluindo morfina, vomitou e foi encaminhada a diferentes unidades. Os exames de sangue, urina e raio-X indicaram apenas uma leve infecção urinária. O ultrassom solicitado avaliou rins e vias urinárias, e não a região ginecológica.

Como a realização do exame pelo SUS demoraria dias, a mãe conseguiu uma consulta particular dois dias depois. A médica não visualizou o ovário esquerdo e suspeitou da torção. No hospital de referência, porém, a hipótese foi inicialmente descartada. A tomografia feita na manhã seguinte confirmou o problema e mostrou um cisto de 8 centímetros no ovário, que havia provocado a torção. Mariana foi operada no mesmo dia.

Sintomas desde a infância

As primeiras cólicas surgiram aos 8 anos, antes da menstruação. Aos 11, Mariana passou a ter sangramentos intensos e ciclos que duravam semanas. Aos 13, ficou 50 dias seguidos sangrando e desenvolveu anemia. Médicos da rede pública atribuíram os sintomas à idade e prescreveram anticoncepcionais sem solicitar exames de imagem.

Aos 14 anos, em uma consulta particular, ela fez o primeiro ultrassom e recebeu o diagnóstico da então síndrome dos ovários policísticos, hoje chamada de Somp (Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina). A doença pode causar ciclos irregulares ou ausentes, infertilidade, depressão e alterações metabólicas e cardiovasculares. Setembro é o mês de conscientização sobre a Somp.

O tratamento com o anticoncepcional adequado interrompeu as câimbras e regularizou o ciclo, mas as cólicas continuaram. Mariana afirma ter sintomas que reconhece como possíveis sinais de endometriose, embora não tenha diagnóstico confirmado.

Dor persistente e planos

Após a cirurgia, a médica do posto solicitou ultrassons anuais. O primeiro pedido ficou parado no sistema por cinco anos, e Mariana só conseguiu fazer o exame neste ano. Atualmente, relata dor de cabeça, enjoo, intestino preso, fadiga e dores nas pernas, nos braços e nas costas. Nos períodos mais intensos, procura o hospital para receber medicação na veia. Ela diz ter ido ao hospital três ou quatro vezes só neste ano.

A mãe de Mariana menstruou aos 9 anos e recebeu diagnósticos de endometriose e adenomiose perto dos 40, depois de ter dois filhos. Mais tarde, precisou fazer uma histerectomia quase completa.

Mariana faz curso pré-vestibular e pretende estudar medicina. “Espero fazer alguma mudança no sistema de saúde”, afirma. Ela diz que, além da dor física, enfrenta o problema de ter seus sintomas desconsiderados.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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