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Saúde

Falhas no reconhecimento da dor feminina afetam emergências e doenças crônicas

Pesquisadores relacionam diagnósticos tardios e tratamentos inadequados à falta de estudos sobre o corpo feminino e ao viés de gênero.

Falhas no reconhecimento da dor feminina afetam emergências e doenças crônicas
Foto: Caitlin Ochs/The New York Times

A falta de conhecimento sobre os sintomas das doenças cardíacas em mulheres preocupa Gláucia Moraes, diretora de Saúde da Mulher na Sociedade Brasileira de Cardiologia. Segundo ela, profissionais de saúde também enfrentam dificuldades para reconhecer como esses quadros podem se manifestar no público feminino.

No final de agosto, a professora Giulia Silva de Araújo, de 26 anos, morreu após um tamponamento cardíaco, causado pela compressão do coração decorrente do acúmulo de sangue ou líquido no pericárdio. De acordo com a família, ela foi admitida e liberada duas vezes com diagnóstico de ansiedade.

O mesmo tipo de interpretação aparece em relatos de mulheres que chegam a hospitais com infarto ou outras emergências cardiovasculares. Estudos associam o problema ao viés de gênero, definido como um desvio sistemático no julgamento baseado em estereótipos sobre homens e mulheres. A Inglaterra passou a classificar esse padrão de desigualdade como misoginia médica e o reconheceu como um problema de saúde pública.

A Nova Estratégia da Saúde da Mulher para a Inglaterra reúne dados sobre a normalização ou a desconsideração da dor feminina e sobre a sub-representação histórica dos corpos das mulheres na ciência. Pesquisadores relacionam essa lacuna a atrasos no diagnóstico e a tratamentos inadequados em outras condições, como endometriose e traumatismo craniano.

Relatos de demora no atendimento

O ginecologista Ricardo Quintairos afirma que mulheres muitas vezes normalizam a dor e desconhecem seus sintomas. Quando buscam ajuda, podem não ser ouvidas por profissionais, em parte porque o corpo masculino é o principal padrão dos estudos científicos.

Uma jovem entrevistada aos 23 anos relatou sentir cólicas desde os 8 anos. Aos 17, perdeu um ovário devido à Somp (Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina), depois de ouvir que as dores eram normais e melhorariam com a idade ou após ter filhos.

Mulheres que processaram um cirurgião plástico do sul da Bahia por negligência e danos morais também relatam dificuldades no pós-operatório. Elas afirmam ter procurado o médico após a abertura dos pontos, a saída de pus, a necrose da pele ou o inchaço desproporcional dos seios. A resposta, segundo os relatos, era que aquilo era normal.

Há um inquérito policial sobre um caso de 2022 envolvendo o mesmo médico. A família afirma que uma mulher teve dor de cabeça e falta de ar um dia após receber alta, morreu menos de um mês depois e teve como causas registradas insuficiência respiratória aguda, embolia pulmonar, trombose venosa profunda e cirurgia plástica. A defesa nega vínculo entre os episódios e atribui a morte a uma reação anestésica rara.

Para pesquisadores ouvidos nas reportagens, o viés de gênero pode levar à interpretação de que mulheres exageram ou dramatizam a dor. Moraes afirma ainda que a formação médica não ensina adequadamente o quadro biológico feminino.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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