São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00%
Notícia com critério
Saúde

Diagnóstico revela como a prosopagnosia altera a percepção de rostos familiares

Condição afeta aproximadamente uma em cada 50 pessoas e pode estar ligada a fatores genéticos, ambientais e experiências visuais na infância.

Diagnóstico revela como a prosopagnosia altera a percepção de rostos familiares
Foto: Maryam Nikan/BBC

O reconhecimento de rostos depende de uma rede de áreas cerebrais, mas algumas pessoas enfrentam dificuldades para identificar até mesmo indivíduos próximos. Foi o que aconteceu com uma mulher que não reconheceu o namorado ao encontrá-lo por acaso em um supermercado, após cerca de seis meses de relacionamento. Ela só percebeu quem ele era quando ouviu sua voz.

A experiência levou a um teste para investigar a prosopagnosia, também conhecida como cegueira facial. A condição afeta aproximadamente uma em cada 50 pessoas e pode aparecer depois de uma lesão cerebral, como um acidente vascular cerebral (AVC). De acordo com Sarah Bate, psicóloga da Universidade de Bournemouth, no Reino Unido, essa forma é menos comum do que as dificuldades presentes desde a infância.

Possíveis origens

A prosopagnosia que surge durante o desenvolvimento também é chamada de congênita. Especialistas acreditam que ela possa ser hereditária, embora os genes envolvidos ainda não tenham sido identificados com exatidão. Bate explica que o quadro não costuma depender de uma única causa, mas de uma interação entre fatores genéticos e ambientais.

As experiências visuais na infância também podem influenciar a capacidade de reconhecer rostos. Algumas pessoas com a condição relatam ter tido visão deficiente ou incomum quando eram crianças. Problemas que não foram corrigidos, como a necessidade de óculos, ou condições como catarata podem interferir em fases importantes do desenvolvimento dessa habilidade.

A mulher submetida ao teste contou que teve dificuldades de visão quando era pequena e usou um tampão em um dos olhos aos oito anos. Ela nunca havia relacionado essa experiência à dificuldade, já adulta, para reconhecer o namorado.

Bate também cita possíveis associações com outros fatores. Pessoas com transtornos do espectro autista podem evitar o contato visual e, em muitos casos, apresentar dificuldades no reconhecimento facial. Crianças que crescem com contato social limitado também podem enfrentar esse tipo de problema mais tarde.

Como o cérebro identifica uma pessoa

Segundo Zaira Cattaneo, neurocientista da Universidade de Bérgamo, na Itália, o reconhecimento facial envolve uma sequência de processos. As informações começam a ser recebidas e interpretadas nas regiões sensoriais posteriores do cérebro, incluindo o lobo occipital e o córtex visual primário.

Depois, os dados seguem para o córtex temporal. Nessa etapa, além de identificar um rosto, o cérebro pode reconhecer sua familiaridade e associá-lo a um nome e a informações sobre a pessoa. O córtex pré-frontal participa da representação consciente do rosto e de decisões relacionadas a ele.

A avaliação científica atual considera importante não apenas o funcionamento de cada área, mas também a comunicação entre elas. Cattaneo afirma que pessoas com prosopagnosia podem ter menor conectividade entre as partes do circuito cerebral envolvido no reconhecimento facial.

A idade também pode influenciar essa capacidade. Com o passar do tempo, as regiões do cérebro envolvidas podem se tornar menos seletivas para rostos familiares. Isso não significa que toda dificuldade seja causada pelo envelhecimento: no caso relatado, o problema estava presente desde as primeiras lembranças.

O diagnóstico e as formas de adaptação

O teste aplicado por Bate começou com um questionário sobre situações cotidianas, como não reconhecer pessoas ou confundir indivíduos que vestem roupas parecidas. Em seguida, houve perguntas sobre a frequência dos sintomas e uma avaliação com rostos famosos.

A participante reconheceu David Attenborough, mas não identificou Paul McCartney, dos Beatles, Tom Hanks e Tony Blair. O resultado confirmou que ela atendia aos critérios para prosopagnosia. O diagnóstico não foi inesperado, mas ajudou a validar uma experiência que a acompanhava havia muito tempo.

Ainda não há uma solução estabelecida para o problema. Cattaneo investiga se a rede cerebral de reconhecimento facial pode ser aprimorada com uma corrente elétrica fraca e não invasiva aplicada pelo couro cabeludo. Os primeiros resultados indicam algum efeito, mas em tarefas específicas, com ganhos de poucos milissegundos ou de dois ou três pontos percentuais.

Bate afirma que os exercícios repetitivos de treinamento facial tiveram resultados limitados em adultos e crianças. Por isso, recomenda estratégias práticas, como combinar previamente um ponto de encontro e chegar antes das outras pessoas.

A mulher relatou que costuma identificar conhecidos por sinais como o modo de andar, a voz ou o batom. A técnica ajuda no cotidiano, mas pode falhar quando alguém muda o corte de cabelo.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.