Uma pesquisa publicada em abril na revista Nature Communications associou o consumo de café a mudanças no microbioma intestinal e a efeitos sobre humor, memória, sono e cognição. Os resultados apareceram tanto entre os participantes que consumiram a bebida com cafeína quanto entre os que ingeriram a versão descafeinada.
O estudo avaliou 62 adultos saudáveis. Metade tinha o hábito de beber entre três e cinco xícaras de café por dia, enquanto a outra metade não consumia a bebida regularmente. Os pesquisadores analisaram humor, função cognitiva, estresse, saúde física, composição da microbiota intestinal e metabólitos encontrados em amostras de fezes e urina.
Após a avaliação inicial, os consumidores habituais ficaram duas semanas sem café nem outras fontes de cafeína. Depois, parte voltou ao café com cafeína e os demais passaram a consumir a versão descafeinada durante três semanas.
As duas versões foram associadas a melhora do humor, redução do estresse e diminuição da impulsividade após a interrupção do consumo. O café com cafeína apresentou efeitos sobre atenção e ansiedade. Já o descafeinado esteve mais relacionado à melhora da memória, do sono e da atividade física.
Alterações na microbiota
Os consumidores de café apresentaram níveis maiores de algumas bactérias associadas a efeitos positivos para a saúde. Durante o período sem a bebida, também foram observadas mudanças em metabólitos ligados ao funcionamento cerebral e ao metabolismo.
O nutrólogo Diogo Toledo, do Einstein Hospital Israelita, afirmou que o resultado reforça a conexão entre intestino e cérebro e indica que os efeitos não dependem apenas da cafeína. Segundo ele, o café contém centenas de compostos bioativos, incluindo polifenóis e antioxidantes.
O intestino participa da produção de neurotransmissores e de substâncias inflamatórias que podem afetar humor, memória, sono e cognição. Essa comunicação ocorre por meio dos sistemas nervoso e imunológico e das bactérias intestinais.
Os autores ressaltaram que a pesquisa foi pequena e utilizou somente café instantâneo. Como o método de preparo altera a quantidade de cafeína, polifenóis e outros compostos bioativos, não é possível afirmar que todos os tipos de café produzam os mesmos efeitos.
Diretrizes internacionais consideram seguro o consumo de até 400 mg de cafeína por dia, equivalente a cerca de três a quatro xícaras, dependendo do preparo. Não há uma quantidade ideal universal, porque fatores genéticos e a velocidade de metabolização influenciam a tolerância de cada pessoa.


