A menopausa foi mencionada em apenas 12% dos prontuários eletrônicos de quase 240 mil mulheres analisadas, embora mais da metade delas tenha informado separadamente que estava passando por essa transição. O resultado indica uma lacuna no registro de informações básicas sobre a saúde feminina e foi publicado na revista Menopause.
As participantes fazem parte do All of Us Research Program, estudo nacional conduzido pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. O programa reúne dados de saúde de um grupo mais amplo de 400 mil participantes e tem como objetivo alcançar pelo menos 1 milhão de americanos.
Diferenças entre relatos e prontuários
As mulheres preencheram questionários de saúde ao ingressar no estudo. Com isso, os pesquisadores puderam comparar as informações declaradas por elas com os dados disponíveis nos prontuários eletrônicos. A idade em que a menopausa ocorreu e sintomas como ondas de calor e distúrbios do sono também estavam, em grande parte, ausentes dos dois registros.
O momento de início da menopausa e a intensidade dos sintomas variam entre as mulheres. Algumas apresentam ondas de calor intensas, alterações no sono e névoa mental, enquanto outras não têm esses sintomas. Uma mulher pode entrar naturalmente na menopausa aos 45 anos, e outra, aos 54. As duas idades são consideradas normais, mas o período em que a transição ocorre pode afetar a saúde atual e futura de maneiras diferentes.
A falta de registros limita o uso dos prontuários em pesquisas sobre a evolução dos sintomas, a relação da menopausa com doenças cardíacas, saúde óssea e saúde mental, além da influência de fatores sociais, como etnia e acesso à assistência médica.
Propostas para ampliar os registros
Os pesquisadores afirmam que ainda não está claro por que a menopausa é pouco documentada. Uma possibilidade é que, por não ser uma doença, ela não seja registrada como código de diagnóstico. Outra é que pacientes não mencionem o assunto quando os sintomas não são intensos. Embora profissionais perguntem sobre a saúde reprodutiva, essas informações nem sempre chegam ao prontuário eletrônico.
A equipe desenvolve um questionário curto sobre a condição menopausal e seus sintomas, para ser preenchido durante o check-in de consultas médicas. As respostas poderiam ser incluídas nos prontuários para uso de equipes de saúde e pesquisadores.
Também está em desenvolvimento uma abordagem computacional para inferir informações sobre a menopausa a partir de outros dados do prontuário ou do perfil genético. O grupo ainda analisa o conjunto de dados do All of Us para identificar diferenças relacionadas à origem cultural, à faixa de renda, às práticas dos sistemas de saúde e aos contextos urbanos ou rurais que possam estar associadas ao registro dessas informações.


