A atividade física ajuda a movimentar a linfa, mas não há evidências de que exercícios específicos sejam mais eficazes do que outros para manter saudável o sistema linfático. A avaliação é de Marc Miller, fisioterapeuta especializado no tema no MD Anderson Cancer Center, em Houston.
Práticas divulgadas nas redes sociais incluem a chamada caminhada linfática, feita em ritmo relaxado, com atenção à postura e à respiração, além de saltos no mesmo lugar ou em cama elástica, conhecidos como “rebounding”. Alongamentos dinâmicos também são apresentados como formas de estimular a drenagem.
Como a linfa circula
O sistema linfático é formado por vasos e gânglios que ajudam a equilibrar os líquidos do corpo e dão suporte à resposta imunológica. Os vasos transportam a linfa, enquanto os gânglios atuam como filtros ao recolher fragmentos de bactérias ou vírus durante uma infecção, explica Tiana Woolridge, médica especialista em medicina esportiva do Hospital for Special Surgery, em Nova York.
Ao contrário do sistema cardiovascular, o sistema linfático não tem uma bomba central. A circulação da linfa depende de contrações musculares provocadas pelo movimento, pela respiração e até pela digestão. Por isso, caminhar, correr, pedalar ou fazer treinamento de força pode contribuir para esse processo.
Para a maioria das pessoas, o sistema linfático funciona sem dificuldades, afirma Jason Wheeler, especialista em medicina vascular da Cleveland Clinic. O linfedema ocorre quando a linfa se acumula em uma ou mais partes do corpo. O risco aumenta depois de lesões, cirurgias ou tratamentos contra o câncer. Tabagismo, obesidade e idade avançada também aparecem entre os fatores associados, enquanto uma parcela menor das pessoas nasce com uma condição genética que prejudica a drenagem.
O papel do exercício
Sentir inchaço ou distensão abdominal não significa necessariamente ter linfedema. Esses sintomas podem surgir ao longo do dia em resposta à alimentação, à qualidade do sono, ao clima e a outros fatores ambientais.
As recomendações gerais citadas pelos especialistas são 150 minutos por semana de atividade aeróbica de intensidade moderada e pelo menos duas sessões semanais de treinamento de força. Segundo Wheeler, músculos mais fortes têm maior capacidade de impulsionar a linfa.
Kelly Sturm, fisioterapeuta de Minneapolis especializada em saúde linfática, afirma que o mais importante é manter uma rotina consistente de movimento ao longo do dia. Para pessoas com o sistema linfático saudável, experimentar exercícios divulgados como “linfáticos” oferece poucas desvantagens. A respiração profunda e diafragmática também pode colaborar para a circulação da linfa.


