SIBÉRIA — A peste pneumônica pode ser transmitida entre pessoas por gotículas liberadas durante a tosse, geralmente após contato próximo. A infecção tem incubação muito curta, às vezes de apenas 24 horas, e exige diagnóstico e tratamento rápidos.
A Organização Mundial da Saúde pediu à Rússia informações adicionais sobre a morte de uma funcionária de um laboratório que pesquisa a peste. A causa ainda é investigada, e as autoridades russas afirmam que todas as pessoas que tiveram contato com a cientista testaram negativo para a forma pneumônica da doença.
Ainda não foi confirmado que a trabalhadora tenha sido infectada pela peste. Em comunicado, as autoridades russas disseram que os exames não identificaram nenhum microrganismo relacionado às atividades profissionais da paciente.
Formas da doença e sintomas
A peste pneumônica é uma infecção pulmonar grave e menos comum que a peste bubônica. Ela também pode surgir quando a peste septicêmica, que atinge o sangue, se espalha para os pulmões. A forma bubônica afeta os gânglios linfáticos.
Entre os sintomas estão falta de ar, dor no peito e tosse com sangue. Sem diagnóstico e tratamento rápidos, a doença é quase sempre fatal, segundo a Organização Mundial da Saúde. Quando iniciada cedo, a terapia com antibióticos costuma ser eficaz.
Malick Gibani, professor e pesquisador do tema no Imperial College London, afirmou que a peste pneumônica é uma manifestação muito grave da doença. Segundo ele, alguns livros didáticos apontam mortalidade de 100% sem tratamento, embora seja difícil obter números precisos na era moderna. Pessoas consideradas sob alto risco de exposição podem receber antibióticos preventivos após o contato e/ou ser submetidas à quarentena.
Origem e circulação
A peste é causada pela bactéria Yersinia pestis, encontrada principalmente em pequenos mamíferos e nas pulgas que os parasitam. A infecção pode ocorrer pela picada de uma pulga contaminada ou pelo contato com um animal infectado.
Piero Olliaro, professor de Doenças Infecciosas Relacionadas à Pobreza na Universidade de Oxford, afirmou que a bactéria continua presente em reservatórios animais. Cerca de 200 espécies de roedores podem abrigá-la, com registros desses reservatórios nas Américas, na Eurásia e na África.
A estimativa anual para os três tipos de peste varia entre mil e três mil infecções. A maioria é de peste bubônica, com muitos casos na África Central, mas também há registros na Rússia, na Índia, na China e nos Estados Unidos.
A peste pneumônica também pode resultar de uma infecção inicial por uma das outras formas. Algumas teorias relacionam a doença à Peste Negra, surto que matou milhões de pessoas na Europa no século XIV.
Zania Stamataki, professora associada de Imunologia Viral na Universidade de Birmingham, disse que o estudo da peste é necessário para diagnóstico, desenvolvimento de vacinas e acompanhamento da resistência aos antibióticos. Ela afirmou que laboratórios precisam manter e estudar o organismo vivo para preparar respostas a surtos.
No caso russo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que Washington analisava a situação com atenção. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos disseram não haver indicação de uma ameaça mais ampla ao país. A Autoridade de Saúde e Segurança do Reino Unido informou que buscava mais dados e avaliou como muito baixo o risco para a população britânica.


