A substância experimental autorizada para o tratamento de Lito Sousa deve chegar ao Brasil entre sete e nove dias, segundo a expectativa divulgada por Mila Seidl, esposa do influenciador. A importação ficará sob responsabilidade da equipe médica que acompanha o paciente, e ainda não foram informados detalhes sobre a condução do tratamento.
A autorização para importar e utilizar o ALN-6457 foi concedida nesta sexta-feira (4) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O pedido partiu do Einstein Hospital Israelita, responsável pelo atendimento de Lito, que foi aceito em um programa de uso compassivo mantido pela farmacêutica Regeneron Pharmaceuticals no exterior.
O composto é um siRNA conjugado a C16 dirigido à proteína priônica. Desenvolvido pela Regeneron Pharmaceuticals, o ALN-6457 ainda está em estágio anterior ao desenvolvimento clínico e não tem estudos formalmente iniciados em seres humanos para o tratamento da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ).
A solicitação foi apresentada para uso individual, por meio de importação por pessoa física. A Anvisa informou que esse tipo de autorização costuma ser aplicado a produtos sem registro ou estudo no Brasil. A agência justificou a decisão pela evolução rápida, letal e irreversível da doença e pela ausência de patrocinador ou representante responsável no país.
Lito recebeu o diagnóstico de DCJ, uma doença neurodegenerativa rara e sem cura, revelado por Mila em 21 de agosto, depois de semanas de investigação neurológica em São Paulo. A condição está associada ao acúmulo anormal de proteínas príon no cérebro e à destruição de neurônios. Não há tratamento capaz de reverter ou interromper sua evolução, e o protocolo médico usual prevê cuidados paliativos após a confirmação.
Depois de receber alta hospitalar, o influenciador passou a ser cuidado em casa. Em 23 de agosto, pediu em inglês para ser incluído em um estudo experimental e citou Ionis Pharmaceuticals, Broad Institute, Harvard e Mayo Clinic. O Ministério da Saúde e o Itamaraty também afirmaram buscar alternativas.
Em vídeo divulgado nesta sexta-feira, Lito afirmou que sua estimativa de chance de escapar da doença passou de 0% para 0,1% com a possibilidade do novo tratamento. Ele disse que explicará a mudança depois que o medicamento chegar ao Brasil.


