A escritora canadense Anne Carson foi escolhida pela Academia Sueca para receber o Nobel de Literatura de 2026. A autora, de 76 anos, foi reconhecida por sua produção literária e pelos diálogos que estabelece com a tradição clássica.
A instituição definiu Carson como autora de uma obra ousada e inventiva, responsável por criar novas formas para a literatura contemporânea. Nascida em Toronto em 1950, ela atua como poeta, ensaísta, tradutora e acadêmica especializada na Grécia Antiga.
Mitologia e literatura contemporânea
Em Autobiografia do Vermelho (1998), Carson reinterpreta figuras da mitologia greco-romana com referências anacrônicas e elementos associados à contemporaneidade. A escritora publicou mais de 20 livros, entre eles Antigonick (2012), tradução da tragédia de Sófocles, e Eros, o Doce-Amargo (1986), ensaio sobre o amor que percorre o tema da Grécia antiga aos dias de hoje.
A autora também utiliza o confronto entre vozes e períodos históricos como procedimento de escrita. Em Economia dos Não-Perdidos (1999), aproxima o poeta grego Simónides do escritor Paul Celan. Já em Homens nas Horas Vagas (2000), coloca em relação o historiador Tucídides e Virginia Woolf.
Para a Academia Sueca, essas combinações afastam Carson de uma poesia lírica centrada no eu narrativo. O resultado, segundo a instituição, são obras que transitam entre a poesia clássica e a moderna, além de diferentes gêneros e formas de arte. As versões de textos antigos feitas pela autora podem, assim, ser consideradas obras independentes.
Carson concilia a produção poética com traduções de clássicos e aulas em universidades ao redor do mundo. Também colaborou com artistas visuais, coreógrafos e diretores de teatro e ópera. A Academia relaciona essa liberdade diante das regras literárias à permanência da relevância da autora desde os anos 1990.
Em São Paulo, uma adaptação teatral de Autobiografia do Vermelho esteve em cartaz entre agosto e setembro.


