São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00%
Notícia com critério
Cultura

Aracy Amaral deixa obra marcada pela crítica e pela pesquisa em arte brasileira

Morta aos 96 anos, historiadora, curadora e professora atuou em bienais, museus, na imprensa e na pesquisa sobre o modernismo.

Aracy Amaral deixa obra marcada pela crítica e pela pesquisa em arte brasileira
Foto: André Seiti/Itaú Cultural

Aracy Amaral morreu nesta terça-feira (15), aos 96 anos, depois de construir uma trajetória que uniu crítica de arte, pesquisa historiográfica, atuação institucional e escrita sobre a relação entre arte e sociedade. Seu trabalho atravessou a imprensa, as bienais, os museus e a universidade.

Antes de concluir o curso de jornalismo na PUC-SP, Amaral acompanhou a montagem da primeira Bienal de São Paulo, em 1951. Na edição seguinte, trabalhou como monitora educativa. Ao longo dos anos, escreveu sobre as bienais paulistanas até a última década, em jornais e no programa de rádio Vamos Falar de Arte?, da Jovem Pan.

Em 1980, convidada a assumir a curadoria da Bienal Internacional de São Paulo, ela reuniu críticos de arte da América Latina para discutir a orientação da mostra. Amaral defendia que o evento adotasse um foco latino-americano. Diante das respostas que considerou insuficientes, deixou a direção da Bienal. Na ocasião, questionou: “Qual deve ser a função da crítica de arte em países que lutam contra o subdesenvolvimento, realidades nas quais a produção artística pode parecer totalmente supérflua diante dos problemas de sobrevivência que nos rodeiam a todos?”

A pesquisa de Amaral resultou em livros dedicados a grandes temas da arte brasileira. Entre eles estão As Artes Plásticas na Semana de 22 e Blaise Cendrars no Brasil e os Modernistas, publicados em 1970; Tarsila: Sua Obra e Seu Tempo, de 1975; e A Hispanidade em São Paulo: Da Casa Rural à Capela de Santo Antônio, de 1981. Sua abordagem do modernismo buscou confrontar mitos e generalizações com documentos, análise das obras e reconstrução das relações entre artistas, intelectuais e apoiadores.

A partir de 1964, Amaral também passou a atuar em museus. Professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, participou da definição do escopo do MAC-USP, onde foi assistente do diretor Walter Zanini e ocupou a direção entre 1982 e 1986. De 1975 a 1979, dirigiu a Pinacoteca de São Paulo e contribuiu para reformular o perfil da instituição, com ênfase na pesquisa, na produção editorial e na ação educativa.

Entre as exposições associadas à sua atuação estão Tarsila: 50 Anos de Pintura, realizada no MAC em 1969; Expo-Projeção 73, de 1973; e Pintura Como Meio, de 1983. Na Pinacoteca, organizou Projeto Construtivo Brasileiro na Arte, de 1977, que também teve edição no MAM Rio. Amaral ainda realizou exposições internacionais de arte brasileira e participou de edições do Rumos Artes Visuais do Itaú Cultural, do Panorama do MAM São Paulo e da Bienal do Mercosul, em Porto Alegre.

Em 2015, convidou um curador adjunto para o 34º Panorama do MAM, concebido a partir dos zoólitos, peças de pedra produzidas pelos povos sambaquieiros entre 7 mil e mil anos atrás. A pesquisa incluiu visitas a sambaquis e museus no litoral sul do Brasil.

Filha de Nadya e Aguinaldo Amaral, irmã de Ana Maria, Suzana e Antonio Henrique, mãe de André e avó de Maria Luiza e Gabriela, Aracy Amaral confiou seu arquivo ao Instituto de Estudos Brasileiros da USP. Sua obra escrita permanece como registro de uma preocupação constante: fazer a arte dialogar com seu tempo, com a sociedade e com a história.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.