LOS ANGELES — O Lucas Museum of Narrative Art abrirá as portas no próximo dia 22, em Los Angeles, depois de duas décadas de planejamento, mudanças no projeto e um investimento de 1 bilhão de dólares bancado por George Lucas e sua esposa, Mellody Hobson. A instituição ocupa um antigo estacionamento no Exposition Park, ao lado do Coliseum, dos museus de ciências e de história natural e da Universidade do Sul da Califórnia.
O edifício foi projetado pelo arquiteto chinês Ma Yansong. Com estrutura branca, formas curvas e janelas que lembram para-brisas, a construção foi apelidada de “nave espacial” pelos moradores locais. O projeto começou a ser planejado em 2006, inicialmente com a expectativa de ser construído em San Francisco, cidade natal de Lucas, ou em Chicago. Como as duas cidades não demonstraram interesse, Los Angeles foi escolhida. As obras começaram em 2018, e a pandemia adiou a inauguração, prevista originalmente para 2021.
Um museu sobre histórias
Embora tenha robôs R2-D2 e C-3PO, uma miniatura da Millennium Falcon e o landspeeder de Uma Nova Esperança, o museu não se limita ao universo de Guerra nas Estrelas. Segundo a CEO Tracey Bates, a saga ocupa só 7% do espaço. A proposta é reunir obras de diferentes linguagens sob o conceito de arte narrativa, incluindo pintura, quadrinhos, fotografia, murais e cinema.
A exposição começa com pinturas rupestres apresentadas em telas de LED e termina em uma galeria de mangá, com um retrato de Pikachu vestido como Van Gogh. O curador Ryan Linkof afirma que o critério é identificar se o objeto está interessado em narrar algo.
O acervo combina obras tradicionalmente associadas à chamada alta cultura com personagens, ilustrações e quadrinhos. Frida Kahlo aparece ao lado da fantasia original de Batman — O Cavaleiro das Trevas. Uma recriação de O Homem Controlador do Universo, de Diego Rivera, é exibida com trabalhos de Charles Schulz, Robert Crumb, Norman Rockwell e Frank Frazetta.
Entre as surpresas da pré-abertura está uma obra inédita de Banksy na entrada da galeria infantil: dois leões de pedra com um chicote na boca, uma cartola caída e o focinho manchado de tinta vermelha. Outras peças do artista britânico integram a exposição inaugural sobre arte em espaços públicos.
Lucas disse que a arte narrativa pode reunir pessoas em torno de crenças comuns e permitir a realização de projetos coletivos. O museu atravessou recusas, atrasos e trocas de comando durante sua criação. Antes da atual gestão, passaram pela instituição duas CEOs e um curador-chefe. Para Mellody Hobson, a proposta é fazer do espaço um museu do povo, para o povo.


