O ator e diretor francês Arnaud Denis morreu aos 43 anos após optar por eutanásia na Bélgica. A decisão ocorreu depois de três anos de dor intensa provocada pela instalação de uma prótese de tela de polipropileno na virilha direita, afetada por uma hérnia inguinal.
O procedimento causou múltiplos efeitos colaterais, comprometeu o sistema imunológico do artista e o deixou em estado de invalidez. De acordo com o advogado Philippe Courtois, a escolha foi discutida com três médicos em Namur. “Seu corpo não aguentava mais. Ele havia perdido o controle”, afirmou.
Cuidados paliativos e tentativa de reparação
No início de 2026, Denis relatou a perda de autonomia e o agravamento de sua condição. “Já não consigo sair de casa, não tenho vida social, nem vida nenhuma”, disse. Na mesma declaração, afirmou que os médicos já não tinham nada a oferecer.
Em março, o ator foi internado em um hospital belga para receber cuidados paliativos enquanto aguardava a aprovação do pedido de eutanásia. Por volta desse período, também apresentou uma queixa à Divisão de Saúde do Ministério Público de Paris por causa das lesões não intencionais que atribuiu ao procedimento.
O caso foi arquivado em agosto, sob a justificativa de que o crime não havia sido suficientemente comprovado. Courtois afirmou que a morte de Denis ocorreu após meses de dor intensa e associou o episódio às complicações enfrentadas por pacientes que recebem implantes considerados de alto risco, sem informações claras ou consentimento informado.
Antes de morrer, Denis criou o coletivo “Vítimas francesas de próteses de hérnia”. A iniciativa levou centenas de pessoas a compartilhar experiências traumáticas relacionadas a esse tipo de prótese.


