“Código: Vingança”, dirigido pelo francês Jean-François Richet, coloca Jason Statham no centro de uma trama de ação simples, concentrada em um navio cargueiro e conduzida por lutas, armas e avanço rápido da narrativa. O resultado é superior a outros filmes recentes protagonizados pelo ator, como “Resgate Implacável” e “Beekeeper - Rede de Vingança”, ambos dirigidos por David Ayer.
Statham interpreta Cole Reed, um ex-policial que salvou a vida do magnata dos navios cargueiros Tibu Campallo, vivido por Ramon Tikaram. Depois do episódio, Reed passa a trabalhar como motorista, segurança e assistente pessoal do bilionário em Bangkok. Também se torna seu parceiro nas partidas de xadrez.
Durante um deslocamento pela cidade, o carro de Tibu é cercado por homens armados. O magnata é gravemente ferido, e Cole mata os atacantes, mas não consegue salvar o amigo. Transformado em culpado pelo crime, o ex-policial segue as pistas de um dos homens mortos e chega ao navio Artemis.
No local, encontra pessoas presas em um contêiner e descobre uma operação de tráfico humano. Tibu era um obstáculo para o negócio. Cole também conhece Angie Ellis, funcionária da navegação interpretada por Annabelle Wallis. Sem saber do esquema, ela se alia ao ex-policial, embora a maior parte dos confrontos fique sob responsabilidade dele.
Ação sem desvios
O filme reduz a exposição ao mínimo e não cria pausas para interromper o andamento dos acontecimentos. Richet aposta em uma estrutura associada ao cinema B norte-americano: poucos cenários, objetivos claros e ação como principal elemento de desenvolvimento.
Cole enfrenta os criminosos com revólver, metralhadora, faca, gancho, machado e arpão. A habilidade do personagem também aparece no uso da voz e do olhar, recursos tratados como extensões de seu arsenal. A proposta é direta e não tenta disfarçar sua natureza de entretenimento, ainda que não apresente muita inventividade.
A verossimilhança fica em segundo plano. Personagens que sofrem golpes capazes de deixá-los fora de combate retornam à luta pouco depois, enquanto o herói suporta agressões que uma pessoa comum dificilmente suportaria. A fórmula remete aos filmes de Rambo, personagem interpretado por Sylvester Stallone e popularizado nos anos 1980.
A violência do longa, porém, pode parecer menos perturbadora do que a violência cotidiana. Dentro dessa comparação, a avaliação depende da execução: para assistir a um filme violento, a escolha deve recair sobre um que realize bem essa proposta.


