SÃO PAULO — A Polícia Civil de São Paulo tenta obter dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre Karina Ferreira da Gama e o Instituto Conhecer Brasil (ICB). A empresária preside a organização e é sócia da Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação apura se recursos públicos recebidos pelo ICB, incluindo valores de emendas parlamentares e de contratos com o poder público, foram direcionados à produtora. Desde maio, os investigadores fizeram pelo menos quatro solicitações à Justiça paulista para acessar relatórios de inteligência financeira, mas os pedidos ainda não tinham sido atendidos.
A polícia pediu ao Coaf o levantamento das movimentações financeiras de Karina e do instituto desde 20 de junho de 2024. A empresária é a única sócia da Go Up Entertainment, que iniciou a produção de um longa filmado em inglês, com elenco e direção de Hollywood. O custo estimado do projeto varia de R$ 8 milhões a R$ 20 milhões.
De acordo com a investigação, a origem dos recursos privados usados no filme não foi devidamente esclarecida. Os policiais também apuram a suspeita de que verbas do programa WiFi Livre SP tenham sido usadas para financiar atividades relacionadas à produção. Outra linha investigada envolve o uso de contas de empresas subcontratadas e de organizações sociais administradas por Karina para ocultar a origem dos valores.
Em junho, a Polícia Civil reforçou o pedido. O delegado responsável afirmou à Justiça que o relatório permitiria examinar em detalhes as transações bancárias do ICB e da empresária. No mês seguinte, os investigadores reiteraram a solicitação e defenderam que o caso continuasse sob segredo de Justiça.
Em 28 de agosto, o juiz Nelson Augusto Bernardes negou o pedido. Na decisão, considerou subjetiva a definição do período a ser analisado e afirmou que a polícia não havia indicado de forma suficiente quais operações ou fluxos financeiros seriam relevantes para o inquérito. O magistrado também pediu esclarecimentos sobre os elementos concretos que justificariam a inclusão de Karina da Gama na pesquisa financeira.
Em 3 de setembro, a Polícia Civil apresentou informações complementares e enviou à Justiça as provas reunidas até aquele momento.


