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Cultura

Na Pinacoteca, Luana Vitra transforma o ferro em reflexão sobre guerras

Instalação parte dos metais de terras raras para relacionar conflitos armados, exploração mineral e violência contra a terra.

Na Pinacoteca, Luana Vitra transforma o ferro em reflexão sobre guerras
Foto: Adriano Vizoni/Folhapress

A instalação Bandeira Branca, de Luana Vitra, ocupa o octógono da Pinacoteca do Estado de São Paulo em uma reflexão sobre a exploração mineral e os conflitos armados. A obra reúne uma bandeira branca e um grande arco e flecha, direcionado ao mesmo tempo para o céu e para a terra, e toma os metais de terras raras como ponto de partida.

Esses metais são apresentados como insumos estratégicos para a indústria moderna e para a transição energética. A artista relaciona a disputa por esses materiais à violência que atinge os territórios. “Todas as guerras são, no fim das contas, contra a terra”, afirma Vitra.

Da dança ao ferro

A trajetória da artista foi formada pelo encontro entre poesia, artesania, dança, moda e escultura. Na infância, a mãe, pedagoga, fazia com que ela decorasse poemas. O pai, marceneiro, aproximou-a do trabalho manual. Na adolescência, Vitra estudou jazz e balé clássico dos 13 anos até a maioridade.

Para ela, a dança ensinou a organizar o peso e influenciou sua maneira de estruturar esculturas. A faculdade de moda, iniciada em 2014, aproximou-a do desenho e das artes visuais. Durante o curso, permaneceu dedicada aos estudos e não apresentava seus trabalhos. A aproximação com a escultura levou-a ao ferro, material que passou a ocupar lugar central em sua produção.

Vitra tem 31 anos e nasceu em Contagem, município do Quadrilátero Ferrífero associado historicamente ao extrativismo mineral. Bisneta de minerador, encontrou no ferro uma relação com sua origem familiar. Em suas obras, aproxima a matéria mineral do corpo negro ao identificar, nos dois casos, históricos de violência e cobiça.

A artista também aborda a extração em massa do minério no período colonial e a galvanização, processo industrial que impede o minério de oxidar. Para Vitra, a oxidação pode ser entendida como uma reação da matéria à tentativa de submetê-la.

Reconhecimento e novos caminhos

A produção de Vitra começou a circular pelo país com esculturas de ferro. Em 2022, uma de suas obras entrou para o acervo da Pinacoteca. No ano seguinte, ela recebeu o prêmio Pipa e participou da 35ª Bienal de São Paulo com a instalação Pulmão da Mina.

A obra tratava do uso de canários por africanos escravizados como alerta para gases tóxicos nas minas. Quando os pássaros deixavam de cantar, os trabalhadores identificavam a contaminação; a morte de um deles podia salvar dezenas de mineiros africanos.

Depois, Vitra passou seis meses em uma residência na África do Sul para estudar a miçangaria do povo zulu. A convivência modificou sua relação com os símbolos e sua maneira de pensar, além de ampliar o olhar que levava das paisagens de sua formação.

De 2024 para cá, a artista participou de bienais em Charjah, nos Emirados Árabes Unidos, e na Tailândia. Também realizou exposições individuais em Roterdã e no Sculpture Center, em Nova York.

A mostra na Pinacoteca integra o programa de parceria entre a Chanel e a instituição. Para Jochen Volz, diretor-geral da Pinacoteca, o trabalho de Vitra trata de um tema urgente sem abandonar a dimensão poética. Thiago de Paula, curador e amigo da artista, afirma que sua produção contribuiu para ampliar os regimes de visibilidade da cena contemporânea.

Bandeira Branca permanece na Pinacoteca até janeiro do ano que vem. Depois, Vitra participará de uma residência na Denniston Hill, no interior do estado americano de Nova York, voltada ao descanso e sem a exigência de entregar uma obra ao final.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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