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Política

Disputa entre Moraes e Mendonça amplia tensão sobre investigação do Banco Master

Ministros criticam a reação de Moraes, enquanto Fachin pediu esclarecimentos a todos os envolvidos no caso do Banco Master.

Disputa entre Moraes e Mendonça amplia tensão sobre investigação do Banco Master
Foto: Folhapress

A decisão de Alexandre de Moraes de pedir investigação contra André Mendonça por abuso de autoridade provocou desconforto entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente os próximos ao relator do caso do Banco Master. Parte da corte avalia que a medida levou a disputa para o conjunto do tribunal e dificultou uma saída institucional para a crise.

Moraes tomou a iniciativa no inquérito das fake news, procedimento cuja continuidade é discutida desde a gestão de Luis Roberto Barroso (2023-2025). Ministros críticos ao método consideram que ele deveria ter apresentado suas alegações sem envolver outros integrantes do STF. Na avaliação desse grupo, a alternativa seria encaminhar um ofício ao presidente da corte e pedir providências sobre o que considerasse abuso de autoridade.

Questionamentos sobre as acusações

A decisão de Moraes afirma que relatórios de inteligência da Polícia Federal apontam possível direcionamento da produção de provas para atribuir falsamente crimes a ministros. O documento menciona o próprio Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.

As situações citadas envolvem familiares e relações diferentes com pessoas ligadas ao Banco Master. Kevin de Carvalho Marques, filho de Kassio, recebeu R$ 281,6 mil entre 2024 e 2025 de uma consultoria que prestou serviços ao banco. Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux, recebeu convite de Daniel Vorcaro para o camarote VIP na Marquês de Sapucaí e acompanhou o Desfile das Campeãs do Carnaval do Rio, em 2025.

No caso de Toffoli, empresas de sua família foram sócias de uma rede fraudulenta de fundos de investimentos do Master. A informação resultou na retirada do ministro da relatoria da investigação, em fevereiro. Em relação a Moraes, o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, recebeu R$ 80 milhões do Banco Master. Também vieram a público mensagens trocadas com Vorcaro, apontado como líder da organização criminosa.

Ministros próximos a Mendonça dizem que essas situações não são equivalentes às acusações feitas contra ele. Moraes sustenta que o colega conduziu irregularmente tratativas de delações premiadas e direcionou alvos da investigação por motivos pessoais e políticos, inclusive com indicação prévia de medidas cautelares à Polícia Federal.

Medidas de Fachin e reação no Senado

Edson Fachin, presidente do STF, avisou ministros de que pediria explicações a Mendonça, Moraes, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A decisão de Moraes, porém, surpreendeu colegas, que defendem que as acusações contra ele fossem esclarecidas sem ampliar o número de envolvidos.

Também gerou incômodo a inclusão de crime de responsabilidade entre os fatos a serem apurados. Aliados de Mendonça interpretam a medida como indicação de que Moraes considera a possibilidade de impeachment do colega. Eles afirmam que Moraes é alvo do maior número de pedidos desse tipo no Senado, enquanto Mendonça recebeu um.

Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado e aliado de Moraes, seria um dos alvos mencionados na decisão. Na terça, ele declarou não ser normal haver 109 pedidos de impeachment contra ministros do STF. A oposição bolsonarista no Congresso e Flávio Bolsonaro voltaram a defender o impeachment de Moraes, mas aliados de Alcolumbre avaliam que não há chance de avanço neste momento.

A disputa também envolve acusações sobre a atuação dos dois ministros. No caso de Moraes, são citados a edição de contrato com o escritório de sua esposa, pagamentos do Banco Master, acesso prévio a investigações policiais, conversa com Vorcaro sobre fuga e uso de relatório sem valor probatório no pedido contra Mendonça. Sobre Mendonça, aparecem a abertura de investigação contra ministro sem passar pelo plenário, pressão sobre a Polícia Federal, pedido de acesso a dados brutos, extrapolação da função de juiz apontada pela Procuradoria-Geral da República e encontro com Vorcaro antes de assumir a relatoria e da deflagração da operação.

A cronologia registra que Mendonça pediu relatório à Polícia Federal em 24.ago, recebeu o documento em 27.ago e retirou o sigilo em 1º.set, quando também pediu sessão a Fachin. Ainda em 1º.set, as suspeitas contra Moraes vieram à tona e Gonet defendeu a anulação do relatório. Em 2.set, Mendonça admitiu encontro privado com Vorcaro. Em 3.set, Fachin determinou que os envolvidos prestassem informações. Em 4.set, retirou o pedido de Moraes do inquérito das fake news.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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