Martinho da Vila contestou a decisão da Unidos de Vila Isabel de levar ao Carnaval 2027 um samba-enredo formado pela união de duas composições. Presidente de honra da escola, ele afirmou que não foi consultado e solicitou a retirada de seu nome da obra escolhida.
“Não concordo e já pedi para retirar meu nome”, declarou o cantor e compositor.
A escolha foi anunciada na madrugada do último sábado, 12. O samba que a agremiação levará à Marquês de Sapucaí resulta da combinação das obras identificadas pelos números 5 e 13. A composição tem entre seus autores Paulo César Feital, Gustavinho Oliveira, Thales Nunes, Danilo Garcia, Júlio Alves, Marcelo Martins, Gabriel Simões, Evandro Bocão e André Diniz, além de Martinho.
Enredo da escola
O enredo escolhido para o desfile tem o título Torto Arado: Sobre a Terra Há de Viver Sempre o Mais Forte. A proposta é inspirada no livro de Itamar Vieira Junior e foi desenvolvida pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, com pesquisa de Vinicius Natal.
A história acompanha as irmãs Bibiana e Belonísia, descendentes rurais que vivem na região da Chapada Diamantina, na Bahia.
Martinho também criticou a prática de unir sambas finalistas. “Acho que nunca fica bom. Quando faz a junção nunca é o compositor, é a escola”, afirmou. Para ele, uma conversa com um ou dois compositores poderia tornar a decisão adequada.
Episódios anteriores
A Unidos de Vila Isabel já havia adotado procedimento semelhante em 2008, quando escolheu o enredo Trabalhadores do Brasil e associou o samba de André Diniz e parceiros a outra composição. Martinho não participou daquela final com sua obra.
Em 2006, a escola também uniu composições durante a disputa, e o compositor, que concorria com um samba próprio, não avançou na seleção.


