A decisão de trabalhar sem uma grande estrutura empresarial levou Priscilla Alcântara a assumir também tarefas burocráticas e operacionais da própria carreira. Aos 30 anos, a cantora passou a dividir o trabalho artístico com a função de empresária, tentando preservar tempo e espaço para a criação.
O processo resultou em “Eco”, álbum com dez faixas desenvolvido ao longo de três anos. O disco apresenta uma sonoridade melancólica e retoma referências do pop dos anos 2000, período que Priscilla considera importante para sua formação musical. A cantora buscou recuperar elementos como pontes nas canções e performances vocais de maior alcance.
“Depois de 20 anos de carreira, eu acho que você sente a coragem e a necessidade de experimentar novos espaços, novos jeitos, formas”, afirma. A mudança, segundo ela, também representou uma tentativa de reduzir o ritmo de trabalho e encontrar uma dinâmica que considerasse mais saudável.
A nova fase se distancia da música gospel, associada à trajetória de Priscilla, mas não elimina essa influência. Criada ouvindo R&B, soul e gospel, ela levou para o álbum camadas vocais e corais, alguns gravados em casa. A cantora considera o momento uma progressão, e não uma ruptura entre períodos distintos.
A independência, diz Priscilla, permitiu criar sem responder às demandas e expectativas da indústria. Para ela, a música deixou de ser vista apenas pelo aspecto comercial e passou a ocupar também um lugar ligado a sonho, propósito e paixão. O desafio está em equilibrar as responsabilidades administrativas com a produção artística.
A estratégia também deu origem ao “Ecos Independentes”, projeto que abriu espaço para quatro artistas escolhidos pela curadoria da cantora. Em vez de concentrar o marketing somente no lançamento de “Eco”, Priscilla decidiu direcionar atenção a esses trabalhos.
Nos próximos meses, ela pretende expandir o universo do álbum com clipes, live sessions e outras versões das músicas. Uma edição deluxe também é considerada. Os shows devem ganhar força em 2027, quando a cantora planeja levar o trabalho para a estrada. “Estrada, show, é o que eu amo fazer”, diz.


