A alta dos combustíveis refinados levou a Agência Internacional de Energia (AIE) a revisar para baixo sua previsão para o consumo mundial de petróleo. Em relatório divulgado nesta sexta-feira (11), a agência estimou que a demanda global cairá 2,5 milhões de barris por dia neste ano, retração maior que a calculada anteriormente.
O petróleo voltou a superar US$ 109 nesta semana e alcançou o maior valor desde 15 de maio. Nos Estados Unidos, o preço médio do galão de diesel passou de US$ 6 pela primeira vez. Para a AIE, o encarecimento dos derivados tende a reduzir o consumo entre compradores sensíveis aos preços.
Restrição no estreito de Hormuz
A agência também passou a considerar que a navegação pelo estreito de Hormuz continuará restrita durante todo o ano de 2026. Antes, a expectativa era de que o fluxo fosse normalizado antes do fim deste ano. A via marítima era responsável pela passagem de 20% da produção mundial de petróleo e gás antes do conflito.
A AIE atribuiu a mudança ao impasse nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã e às interrupções persistentes nas exportações do Golfo. A agência afirmou que 2026 e 2027 representarão “um período perdido” para o crescimento da demanda por petróleo. A recuperação esperada para 2027 é de apenas 2,6 milhões de barris por dia, pouco acima dos níveis de 2025.
O petróleo Brent chegou a subir 14% na semana e era negociado a quase US$ 110 por barril na sexta-feira, antes de recuar para cerca de US$ 105. A alta foi associada à disputa entre Estados Unidos e Irã pelo controle de Hormuz e ao avanço de rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, sobre o estreito de Bab al-Mandeb, entre o Mar Vermelho e o Oceano Índico.
Oferta global sob pressão
Os preços do diesel e de outros derivados também foram afetados pela redução da capacidade de refino no Golfo e pelos ataques ucranianos contra refinarias russas. A AIE afirmou que o sistema de refino opera no limite e que os derivados ainda podem ficar mais caros.
A produção mundial de petróleo caiu 1,6 milhão de barris por dia em agosto, para pouco mais de 100 milhões de barris por dia. Mais de 10 milhões de barris por dia da produção do Golfo continuaram interrompidos. Para o ano, a agência projeta queda de 5,7 milhões de barris por dia na oferta, com a recuperação no Golfo adiada para 2027.
Os ataques da Ucrânia à infraestrutura russa reduziram as exportações totais do país em 410 mil barris por dia em agosto, ao menor nível desde 2018. Até agosto, a AIE havia liberado 320 milhões dos 400 milhões de barris previstos em março para as reservas estratégicas. Em agosto, foram liberados 20 milhões de barris, contra 90 milhões em maio.


