NOVA YORK — O governo dos Estados Unidos iniciou em agosto uma avaliação de novos modelos de inteligência artificial. A participação das empresas é voluntária, e a metodologia dos testes ainda não foi divulgada. Paralelamente, OpenAI, Anthropic e Google DeepMind discutem a criação de uma entidade para supervisionar os riscos da tecnologia.
A proposta foi apresentada em julho por Demis Hassabis, cofundador e diretor-executivo do Google DeepMind. A estrutura teria características semelhantes às da Autoridade Reguladora da Indústria Financeira dos Estados Unidos, uma entidade de autorregulação do setor.
Hassabis afirmou que o órgão precisaria de financiamento significativo, provavelmente em grande parte vindo das próprias empresas de inteligência artificial. Também defendeu a contratação de profissionais com conhecimento técnico e a disponibilidade de recursos computacionais suficientes para realizar testes em larga escala.
A OpenAI informou a iniciativa nesta terça-feira (15), em meio a apelos por maior controle sobre a inteligência artificial. As principais empresas do setor vêm pedindo há meses ao governo dos Estados Unidos a criação de regras e uma supervisão mais ampla da segurança desses sistemas.
Alertas de funcionários
As preocupações aumentaram nas últimas semanas após dois funcionários deixarem grandes desenvolvedoras de IA e alertarem para os riscos que, segundo eles, a indústria representa para a humanidade.
Na semana passada, Jacob Coxon advertiu que as empresas de inteligência artificial estão “brincando com nossas vidas” ao deixar o cargo de desenvolvedor na Anthropic. Na segunda-feira (14), Bilal Chughtai, ex-pesquisador do Google DeepMind, voltou a manifestar preocupação.
Após um apelo feito no sábado por Dario Amodei, diretor-executivo da Anthropic, para desacelerar o desenvolvimento da IA, Donald Trump reiterou que não pretende limitar o setor. “Que a IA assuma o controle do mundo, destrua a humanidade e todas essas coisas ruins é uma FARSA”, escreveu o presidente dos Estados Unidos na segunda-feira, em sua plataforma Truth Social.
Trump e integrantes de seu governo afirmam que não querem restringir a tecnologia porque temem que a China assuma a liderança.


