LONDRES — A China liderou em 2025 os pedidos de patentes relacionados a baterias de íons de sódio, com a CATL na primeira posição entre as empresas, segundo o relatório mais recente da Volta Foundation. A vantagem tecnológica acompanha uma diferença de escala: as gigafábricas em operação ou planejadas no país somam mais de 400 GWh, contra 11 GWh no restante do mundo, de acordo com a CRU.
A tecnologia usa sais de sódio dissolvidos em água para transportar íons entre os eletrodos. O sódio pode ser obtido de materiais abundantes, inclusive água do mar, enquanto as baterias de íons de lítio dependem de metais como grafite e cobalto, cuja produção é dominada pela China.
O custo continua sendo um obstáculo para empresas europeias e americanas que tentam criar uma cadeia de fornecimento própria. Max Reid, chefe de custos de baterias da CRU Group, afirmou que seriam necessários investimentos de pelo menos US$ 100 (R$ 511 milhões) por fábrica para ampliar a produção fora da China.
A chinesa Changan desenvolve um veículo elétrico produzido em massa com células fornecidas pela CATL. Em testes, a montadora informou que essas baterias carregaram 6% mais rápido que as convencionais de lítio a -20 °C e 21% mais rápido a -10 °C.
As baterias de sódio têm menor densidade energética que algumas alternativas para veículos elétricos, mas apresentam desempenho superior e mais segurança em temperaturas extremas. Essas características também atraem empresas de armazenamento de energia e data centers.
O UBS estima que a paridade de custos com as baterias de lítio será alcançada até 2027. A previsão é de queda de até 30% no preço das células de sódio até 2030, com expansão do setor até 2035. A CRU avalia que a tecnologia deverá complementar, e não substituir, as baterias de lítio.
Na Europa, a Moll Batterien constrói uma fábrica na Alemanha, com início da produção previsto para o próximo ano. A GM firmou parceria com a californiana Peak Energy e planeja produzir baterias de sódio em larga escala a partir de 2028. A Peak, porém, pretende inicialmente usar células importadas da Ásia, incluindo da China.
A americana Alsym Energy afirmou ter obtido compromissos comerciais de 19 gigawatts-hora nos últimos meses. Já a CATL e a holandesa Alfen anunciaram em julho uma cooperação para instalar 5 gigawatts-hora de sistemas de armazenamento de energia na Europa a partir de 2027.
Empresas chinesas como CATL e BYD receberam incentivos fiscais, enquanto start-ups ocidentais encerraram atividades. A Natron Energy, da Califórnia, entrou em colapso no ano passado, depois de anunciar planos para uma gigafábrica. O fechamento ocorreu pouco depois do encerramento da Bedrock Materials, derivada da Universidade Stanford.
Governos também buscam materiais alternativos. Desenvolvedores usam carbono duro, obtido de árvores, cascas de coco e subprodutos da indústria de petróleo e gás. A finlandesa Stora Enso testa com parceiros seu carbono produzido a partir de lignina, em colaboração com a sueca Altris.
A dependência chinesa permanece no centro do debate. A Peak planeja usar células asiáticas no início, enquanto Kurt Kelty, chefe da área de baterias da GM, afirmou que a companhia pretende adquirir todos os materiais na América do Norte quando os volumes aumentarem.


