A primeira reunião presencial entre Brasil e Estados Unidos desde a retomada das negociações sobre a sobretaxa de produtos brasileiros deverá ocorrer em Milwaukee, nos Estados Unidos, entre 30 de setembro e 1° de outubro. O encontro será realizado durante uma reunião preparatória do G20 voltada a ministros de Indústria e Comércio.
A confirmação foi feita por Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Também deverá participar da conversa o ministro Mauro Vieira. Pelo lado americano, estará presente Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos (USTR).
Márcio Elias afirmou que ainda não há acordo em discussão concluído. Desde a última conversa virtual, as equipes dos dois países vêm trocando documentos e preparando a próxima rodada presencial. Segundo o ministro, os grupos técnicos mantêm conversas regulares.
A programação do G20 prevê reuniões bilaterais com quase todos os participantes. A negociação sobre a sobretaxa, porém, será o foco específico do encontro entre as delegações brasileira e americana.
Motivos e faixas da sobretaxa
A sobretaxa geral sobre produtos brasileiros foi determinada depois da conclusão de um processo formal do USTR. O governo dos Estados Unidos apontou práticas comerciais e regulatórias consideradas desleais, incluindo barreiras à entrada do etanol americano, questionamentos sobre o controle e a concorrência do sistema PIX e decisões judiciais relacionadas a plataformas de redes sociais e à tributação digital.
Também foram citadas demandas ligadas ao combate ao desmatamento ilegal, à corrupção e à proteção da propriedade intelectual.
As exportações brasileiras foram distribuídas em diferentes faixas. A tarifa de 25% alcança bens industriais, produtos agrícolas processados e manufaturados, como máquinas agrícolas e industriais, calçados, vestuário, equipamentos de mineração, ferramentas de jardinagem e maquinário elétrico.
Tarifas de 50% já incidiam sobre setores específicos da indústria siderúrgica e de metais básicos. Em derivados desses materiais, houve revisões e cortes parciais para faixas entre 15% e 25% em determinados períodos regulatórios. Em produtos com sobretaxas parciais ou proposta complementar de 12,5%, a alíquota final pode chegar a 37,5%.
Entre os itens deixados fora da tarifa de 25% estão carne bovina, café, laranjas, suco de laranja, petróleo bruto, gás natural, aeronaves civis, motores e componentes da Embraer, celulose, ferro-gusa, semicondutores, medicamentos e ingredientes farmacêuticos.


