SALVADOR — Carlos Suarez foi liberado no sábado (3), depois de pagar uma multa à Receita mexicana. O empresário havia sido detido na noite de sexta-feira (2), no aeroporto de Cancún, ao tentar deixar o México com dinheiro em espécie que não havia sido declarado na saída do país.
O advogado Roberto Podval, responsável pela defesa, afirmou que não sabe informar o valor da multa nem se parte do dinheiro permaneceu retida pelas autoridades mexicanas. A falta da declaração é considerada um ilícito no México.
Declaração do dinheiro
Segundo Podval, Suarez informou às autoridades, ao entrar no país, que levava cerca de US$ 37 mil (R$ 185 mil). Na saída, ainda carregava parte do montante, mas não teria feito uma nova declaração porque, de acordo com a defesa, não sabia que essa exigência também se aplicava à saída do México.
O advogado disse que agentes perguntaram se havia dinheiro na bagagem de mão, e o empresário confirmou. Como Suarez afirmou não saber o valor exato, foi orientado a contar as cédulas. A quantia era inferior à declarada na entrada, pois parte havia sido gasta durante a viagem.
Na segunda-feira (5), o perfil mexicano Vigia Ciudadano publicou no X uma foto na qual agentes da Guarda Nacional aparecem inspecionando o dinheiro.
Atuação empresarial e doações
Suarez foi um dos sócios-fundadores da construtora OAS e, depois de deixar a empresa, passou a investir em infraestrutura energética. Ele fundou a Termogás e comprou participações acionárias em concessionárias estaduais de gás canalizado, entre elas Potigás, Cergás, Algás e Companhia Paranaense de Gás.
A atuação na distribuição regional de gás natural ampliou sua presença no setor. Na campanha eleitoral deste ano, o empresário doou R$ 5,7 milhões a cinco partidos: R$ 1 milhão para cada uma das direções nacionais do MDB, PP, PSD, PSDB e União Brasil. Também destinou R$ 700 mil ao PSB.
Receberam ainda R$ 20 mil Clair Kuhn (MDB) e R$ 10 mil João Pedro Souza Nunes (MDB), candidatos a deputado estadual no Rio Grande do Sul.


