São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00%
Notícia com critério
Economia

Cota chinesa para carne bovina brasileira pode acabar entre março e abril de 2027

Roberto Perosa prevê avanço dos embarques a partir de novembro de 2026 e defende medidas para distribuir o uso da cota chinesa.

Cota chinesa para carne bovina brasileira pode acabar entre março e abril de 2027
Foto: Joel Silva/Folhapress

A cota de carne bovina brasileira para a China em 2027 pode ser preenchida até o final de março ou em abril, caso os embarques sejam antecipados. A estimativa é de Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que prevê o início das remessas para cumprimento da cota em novembro de 2026.

O volume destinado ao Brasil será de 1,128 milhão de toneladas, apenas 22 mil toneladas acima do limite de 2026. As compras dentro da cota terão tarifa de 12%. Para volumes excedentes, a China estabeleceu uma tarifa de 55% em 2026, 2027 e 2028.

“Se for o que estamos esperando, pode haver o final da cota em março, mais tardar em abril”, afirmou Perosa.

A China é o maior importador da carne bovina brasileira. O presidente da Abiec defendeu que os embarques sejam dosados por meio de alguma medida governamental, para evitar que o limite seja atingido rapidamente e reduzir os impactos sobre o setor. Ele também disse que existe consenso entre as empresas sobre a divisão da cota, com o objetivo de distribuir os efeitos de uma eventual aceleração das vendas.

Estoques chineses e exportações

Perosa afirmou que ainda há incertezas sobre a demanda chinesa quando as vendas forem retomadas, porque o país mantém estoques elevados das principais proteínas. Segundo ele, a China está no nível máximo de produção de carne suína e também produz carne de aves.

Após o preenchimento da cota de 2026, por volta de julho, o setor passou meses com margens menores devido à ausência do mercado chinês. Sem a tarifa mais alta aplicada fora da cota, o Brasil poderia ter exportado 2 milhões de toneladas para a China em 2026, ante aproximadamente 1,7 milhão de toneladas em 2025.

De janeiro a agosto, as exportações brasileiras de carne bovina para a China somaram 899,2 mil toneladas. O volume enviado pelo Brasil a todos os destinos chegou a 2,2 milhões de toneladas no período, conforme dados da Abiec. Para o cálculo da cota de 2026, a China considerou cargas que entraram no país a partir de 1º de janeiro, incluindo algumas embarcadas pelo Brasil no final de 2025.

Negociações com a União Europeia

Perosa afirmou que o Brasil provavelmente não resolverá até o final do ano o embargo europeu à carne bovina, mas espera que as exportações para a União Europeia sejam retomadas no primeiro semestre de 2027, conforme avancem as negociações.

O Brasil não exporta carne bovina para a União Europeia desde 3 de setembro. A suspensão está relacionada às exigências europeias de comprovação de que não foram utilizados antimicrobianos e também alcança outras carnes, ovos e mel.

A indústria protocolou no Ministério da Agricultura um termo de adesão às regras europeias assinado por 100% das indústrias, na tentativa de voltar à lista de países autorizados a exportar para o bloco. Perosa disse que o setor aguarda o reconhecimento europeu, mas apontou a baixa adesão de pecuaristas ao protocolo como um dos obstáculos.

Como o ciclo de vida dos bovinos é de cerca de dois anos, a indústria pretende negociar um período de transição. A proposta está sendo estudada no Ministério da Agricultura, sem detalhes divulgados sobre o que será apresentado aos europeus.

O mercado da União Europeia representou embarques de cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,13 bilhões) para o setor no ano passado. Nos últimos quatro meses, período de maior demanda, foram pouco mais de US$ 500 milhões (R$ 2,57 bilhões). Perosa também afirmou que o Brasil exporta para cerca de 170 países e que não há estudo científico indicando que o antimicrobiano vetado pela União Europeia cause problemas à saúde humana.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.