O Fundo Monetário Internacional (FMI) manteve em 3% a previsão de crescimento da economia mundial em 2026, embora avalie que os riscos permanecem elevados. A instituição afirma que a atividade resistiu melhor do que o esperado ao choque de energia provocado pela guerra no Oriente Médio.
Julie Kozack, porta-voz do FMI, disse que os preços do petróleo e do gás continuam altos e que os efeitos do choque energético ainda não terminaram. Ela também afirmou que as expectativas de inflação global subiram, mas seguem ancoradas no longo prazo.
“Até o momento, apesar de seis meses de guerra no Oriente Médio, a economia global tem se mostrado resiliente”, disse Kozack. Segundo ela, alguns países recorreram a reservas de petróleo e gás, enquanto outros buscaram novas fontes de energia ou adotaram medidas para reduzir a demanda.
Pressões sobre energia e dívida
A economia global, de acordo com Kozack, recebe sinais opostos. O choque negativo na oferta de energia eleva os preços de combustíveis, fertilizantes, alimentos e outras commodities. Em sentido contrário, o ciclo tecnológico impulsionado pela inteligência artificial sustenta um choque positivo na demanda.
Entre os riscos citados estão a necessidade de vários países recomporem suas reservas de petróleo e gás e a possibilidade de aumento da demanda por energia com a aproximação do inverno no Hemisfério Norte.
As pressões sobre a dívida pública global também cresceram. O endividamento está próximo de 100% do Produto Interno Bruto (PIB), no maior nível desde a Segunda Guerra Mundial, e deve continuar avançando. Economias avançadas apresentam índices particularmente altos de dívida em relação ao PIB.
Nos países em desenvolvimento, inclusive na África, problemas de liquidez estão se acumulando, em parte por causa da redução da assistência bilateral. O FMI recomendou que os bancos centrais preservem seus mandatos de estabilidade de preços e pediu a formuladores de políticas fiscais planos de consolidação de médio prazo.
Em julho, o fundo havia reduzido novamente a projeção de crescimento global para 2026, fixando-a em 3%, ante uma média de 3,5% estimada para 2024 e 2025. A instituição também acompanhará os efeitos das novas sanções dos Estados Unidos contra o Irã, incluindo medidas secundárias contra empresas de terceiros países que apoiam Teerã.


