O presidente do conselho de administração do BTG Pactual, André Esteves, defendeu a revisão dos benefícios tributários concedidos a títulos isentos como parte de um ajuste fiscal para aumentar a arrecadação da União. Ele afirmou que a quantidade desses papéis no Brasil é excessiva e observou que o BTG atua tanto como detentor quanto como emissor.
"O volume de títulos isentos no Brasil é completamente absurdo", disse Esteves durante evento do grupo Esfera, nesta segunda-feira (14). Para o banqueiro, o ajuste fiscal precisa considerar tanto as despesas quanto as receitas.
A oferta de produtos incentivados cresceu mais rapidamente que a de outros investimentos de renda fixa nos últimos anos. O grupo inclui CRIs e CRAs, certificados de recebíveis imobiliários e do agronegócio; LCIs e LCAs, letras de crédito imobiliário e do agronegócio; e debêntures incentivadas, associadas a obras de infraestrutura.
Entre 2020 e 2025, a emissão de títulos isentos e incentivados mais que triplicou, chegando a R$ 896,5 bilhões. No mesmo período, as ofertas do Tesouro Nacional cresceram 37%, para R$ 1,7 trilhão em 2025. As emissões de CDBs avançaram 78%, alcançando R$ 11,4 bilhões.
Apesar da renúncia fiscal, as maiores empresas abertas do país pretendem pedir aos dois principais candidatos à Presidência da República que mantenham a isenção. A Abrasca, Associação Brasileira das Companhias Abertas, formulou um documento que será entregue ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, em jantar nesta segunda-feira (14). Ao final do mês, o material também será encaminhado a Daniella Marques, que lidera as propostas econômicas de Flávio Bolsonaro.
A entidade afirma que a isenção continua essencial para o financiamento de curto e médio prazo das empresas, especialmente as do agronegócio.
Esteves também voltou a defender equilíbrio fiscal como condição para a redução dos juros. "Equilíbrio fiscal não é uma pauta nem de direita e nem de esquerda", afirmou.
Questionado sobre os riscos econômico e institucional, o presidente do conselho do BTG disse estar mais preocupado com o segundo. Para ele, o cenário eleitoral segue indefinido: a disputa no segundo turno será apertada, sem definição sobre o vencedor. Esteves também mencionou a crise no Supremo Tribunal Federal relacionada ao caso Master e disse que o risco institucional poderia levar o país a uma posição entre o México e a Rússia.

