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Economia

Frete Brasil-China supera o dobro e aperta margem de mineradoras menores

Custos na rota até Qingdao chegaram a US$ 42,12 por tonelada, enquanto produtoras reduzem operações e preservam caixa.

Frete Brasil-China supera o dobro e aperta margem de mineradoras menores
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

O custo do transporte de minério de ferro entre Brasil e China mais que dobrou em relação ao ano anterior e passou a consumir uma parcela significativa do valor das exportações. Na rota C3 Capesize, entre Tubarão e Qingdao, o frete foi cotado a US$ 42,12 (R$ 216,50) por tonelada em 14 de setembro, perto dos maiores níveis desde 2021.

A pressão ocorre enquanto os contratos futuros de referência do minério de ferro permanecem, em sua maioria, abaixo de US$ 100 (R$ 514) por tonelada desde julho. Em maio, o produto chegou a quase US$ 112 (R$ 575,68) por tonelada. Na base FOB, o valor recebido pelos produtores brasileiros caiu mais de US$ 18 (R$ 92,52) por tonelada, embora os preços do minério tenham variado pouco, afirmou Artur Bontempo, sócio da Prime Trading.

Operações reduzidas

A Mineração Usiminas SA suspendeu em 2 de setembro as atividades da planta de Samambaia, em Minas Gerais. A empresa informou que a medida integra ações para “enfrentar condições externas desafiadoras, incluindo a queda dos preços do minério de ferro e a alta dos custos do frete marítimo”. A interrupção corresponde a cerca de 30% a 35% da produção de sua operação de mineração.

A Itaminas Comércio de Minérios SA também planeja interromper, em outubro, as operações de uma planta de beneficiamento a úmido. A companhia colocará um terço dos trabalhadores em licença para preservar caixa. Como exporta 90% da produção e está à frente de seu plano de produção, afirmou que a decisão não afetará seus compromissos comerciais.

As duas medidas indicam um impacto maior sobre mineradoras menores concentradas no Quadrilátero Ferrífero, segundo Daniel Sasson, analista do Itaú BBA. Ele estima que as margens das empresas expostas ao frete no mercado à vista estejam próximas das mínimas em cinco anos, o que pode favorecer uma recuperação dos preços do minério, em vez da continuidade da queda.

Pressão sobre exportadores

A alta das tarifas foi associada à guerra no Oriente Médio, que prejudica os fluxos comerciais e eleva os preços dos combustíveis, e ao mau tempo no Pacífico, que reduziu a disponibilidade de navios. A demanda mais forte de exportadores de minério de ferro também aumentou os custos.

Para Maria Bertzeletou, analista sênior de mercado do Signal Group, produtores menores, com proteção contratual limitada, permanecem vulneráveis à redução das margens e à pressão sobre o capital de giro. Thiago Toscano, presidente-executivo da Itaminas, disse que a empresa não dispõe do suporte logístico dos concorrentes maiores, o que torna o frete especialmente prejudicial.

O Brasil é o segundo maior produtor mundial do insumo usado na fabricação de aço. O mercado também enfrenta o enfraquecimento da demanda da indústria siderúrgica chinesa, descrito como uma ameaça estrutural ao setor.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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