O acesso ao mercado de trabalho e a renda são menores entre as pessoas com deficiência no Brasil, segundo informativo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (18). Em 2022, 14,4 milhões de pessoas com deficiência viviam no país, o que correspondia a 7,3% da população com 2 anos ou mais.
A renda média mensal obtida pelo trabalho era de R$ 2.053 entre pessoas com deficiência, contra R$ 2.890 entre as demais. A diferença foi registrada em todos os grupos de atividade analisados. Na indústria, chegou a -29,3%. Nos serviços de informação, atividades financeiras e outras atividades profissionais, alcançou -31,3%.
Na manufatura, o rendimento médio era de R$ 1.859 para pessoas com deficiência e de R$ 2.630 para pessoas sem deficiência. Nos setores de informação, atividades financeiras e outros serviços, os valores eram de R$ 2.754 e R$ 4.008, respectivamente.
A taxa de ocupação, que indica a proporção da população em idade de trabalhar que tem uma ocupação, também apresentava diferença. O índice era de 29% entre pessoas com deficiência e de 55,8% entre as demais, uma distância de 26,8 pontos percentuais.
Renda e pobreza
Luanda Chaves Botelho, responsável pela Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE, afirmou que essa população enfrenta obstáculos para conseguir uma ocupação e também para acessar postos com maior proteção social. O instituto informou que pessoas com deficiência estão proporcionalmente mais presentes em atividades de menor rendimento médio, como serviços domésticos, agropecuária e alojamento e alimentação.
Quando consideradas todas as fontes de renda, o trabalho representava uma parcela menor do orçamento das famílias com pessoas com deficiência. André Simões, pesquisador do IBGE, relacionou o resultado ao menor nível de ocupação e ao perfil mais envelhecido dessa população, que eleva a participação de aposentadorias, pensões e outros benefícios.
A pobreza atingia 60,9% das crianças com deficiência de 2 a 14 anos. Para o IBGE, está abaixo da linha da pobreza quem tem rendimento domiciliar per capita inferior a R$ 770 por mês. As pessoas com deficiência apresentaram taxas de pobreza superiores às observadas entre aquelas sem deficiência em todos os grupos etários avaliados.
Entre crianças e adolescentes com deficiência abaixo da linha da pobreza, 53,5% moravam com a mãe ou madrasta e o pai ou padrasto, enquanto 35,1% viviam apenas com a mãe ou madrasta.
Escolarização e mobilidade
Em 2022, a taxa de analfabetismo entre jovens de 15 a 29 anos com deficiência era de 12,2%, ante 1% entre aqueles sem deficiência. A frequência escolar também era menor para estudantes com deficiência: 92,6% entre crianças de 6 a 14 anos, contra 98,4% entre as demais; e 79,5% entre adolescentes de 15 a 17 anos, ante 85,4%.
O IBGE avaliou a presença de banheiros acessíveis, salas de recursos multifuncionais e profissionais de apoio. Ao todo, 78,5% das escolas de educação básica contavam com pelo menos um desses recursos. Banheiros acessíveis estavam presentes em 57% das escolas, salas de recursos multifuncionais em 30% e profissionais de apoio em 26,2%.
No deslocamento entre casa e trabalho, pessoas com deficiência levavam em média 37 minutos, quatro minutos a mais que as pessoas sem deficiência, cujo tempo médio era de 33 minutos. Ônibus e BRT eram usados por 24,7% dos entrevistados. Os deslocamentos a pé representavam 23,7%, e os feitos por automóveis, táxis ou similares, 22,8%.


