Em 2022, somente 29% das pessoas com deficiência de 14 anos ou mais trabalhavam no Brasil, conforme dados do Censo Demográfico divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Entre as pessoas sem deficiência da mesma faixa etária, o nível de ocupação era de 55,8%.
O rendimento médio do trabalho também era menor. Pessoas com deficiência recebiam R$ 2.053 por mês, enquanto os demais trabalhadores tinham rendimento médio de R$ 2.890. A diferença era de 29%.
Ocupação e renda
Segundo o IBGE, os profissionais com deficiência recebiam menos nas dez atividades econômicas analisadas. Eles também estavam mais concentrados em setores cuja remuneração média costuma ser menor, como serviços domésticos, agropecuária e alojamento e alimentação.
Em 2022, o Brasil tinha 13,7 milhões de pessoas com deficiência em idade de trabalhar. Quase 4 milhões exerciam alguma atividade profissional, o que correspondia ao nível de ocupação de 29%.
A menor taxa de ocupação foi registrada entre pessoas com dificuldades associadas a funções mentais, com 12,9%. O maior percentual apareceu entre aquelas com dificuldade de enxergar, com 35,9%.
A participação em cargos de chefia também era reduzida. Apenas 2,5% dos 2,3 milhões de cargos gerenciais do país eram ocupados por pessoas com deficiência, o equivalente a 59,1 mil postos. Desse grupo, 55,7% eram homens e estavam concentrados em posições com menores remunerações.
A contribuição para a Previdência alcançava 57,9% dos ocupados com deficiência. Entre os trabalhadores sem deficiência, a proporção era de 67,7%.
“Existe também uma dimensão não explicada nem pelo grupo ocupacional, nem pela atividade, nem pelo nível de escolarização”, afirmou Luanda Chaves Botelho, pesquisadora do IBGE. Ela associou parte da diferença a uma discriminação específica contra pessoas com deficiência, chamada de capacitismo.
Pobreza por faixa etária
O levantamento também analisou a pobreza em quatro faixas etárias, considerando rendimentos do trabalho e outras fontes. A taxa entre pessoas com deficiência era maior em todos os grupos quando comparada à população sem deficiência da mesma idade. Os percentuais mais altos estavam entre crianças e adolescentes.
Em 2022, 60,9% das pessoas de 2 a 14 anos com deficiência viviam em lares abaixo da linha de pobreza. Entre aquelas sem deficiência, a proporção era de 52,5%.
Na população de 60 anos ou mais, a taxa era de 20,7% entre pessoas com deficiência e de 17,5% entre as demais. No conjunto da população com deficiência, a pobreza atingia 33,2%, ante 34,5% entre as pessoas sem deficiência.
O IBGE explicou que o resultado geral sofre influência da composição etária. A população com deficiência tem proporção maior de idosos, grupo em que a incidência da pobreza é menor. Por isso, a análise por faixa etária mostra taxas superiores entre pessoas com deficiência em todos os grupos.
O estudo adotou parâmetros do Banco Mundial. A linha de pobreza foi estabelecida em US$ 8,30 por dia de rendimento domiciliar per capita, equivalente a cerca de R$ 770 mensais.
A divulgação ocorreu às vésperas do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro.


