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Economia

Impasse sobre Ormuz pressiona petróleo e interrompe diálogo entre Irã e Golfo

Reunião em Salalah foi adiada após o Bahrein desistir de participar; Brent avançou 3,5% na abertura dos mercados asiáticos.

Impasse sobre Ormuz pressiona petróleo e interrompe diálogo entre Irã e Golfo
Foto: Ministerio de Información de Omán/via Xinhua

O adiamento de uma reunião entre o Irã e os países árabes do Golfo elevou a preocupação com o abastecimento de energia e fez o petróleo Brent subir 3,5%, para mais de US$ 108 por barril, na abertura dos mercados asiáticos na segunda-feira. O encontro, previsto para segunda-feira (14), em Salalah, Omã, discutiria um acordo temporário para administrar a navegação pelo estreito de Ormuz.

A iniciativa partiu de Omã e previa que as embarcações entrassem no estreito por águas iranianas e saíssem, em sua maioria, pelo território marítimo omanense. Mascate e Teerã negociaram o arranjo durante semanas, mas não houve consenso para a realização da reunião.

O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, anunciou o adiamento. “Em nome do consenso, a reunião regional marcada para amanhã em Salalah foi adiada”, escreveu em uma publicação no X. Ele disse que o país continua empenhado no diálogo e na cooperação regional, sem fornecer outros detalhes.

Participação regional

O encontro reuniria os chanceleres dos seis integrantes do Conselho de Cooperação do Golfo —Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar, Omã e Bahrein— com o ministro das Relações Exteriores iraniano. Seria a primeira reunião desse formato em quase dois anos. O Iraque também era esperado.

O Bahrein, que ocupa a presidência rotativa do CCG e está entre os países do Golfo mais atingidos pelos ataques de retaliação iranianos, informou no sábado que não participaria. Mohammad Ali Bek, alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores do Irã, afirmou que o adiamento ocorreu a pedido de países da região. “A República Islâmica do Irã, em estreita consulta com Omã, tomará as providências necessárias para definir um momento adequado para a realização da reunião”, declarou.

O encontro ocorreria em meio à restrição da navegação pelo estreito de Ormuz, adotada pelo Irã desde que os EUA e Israel iniciaram sua guerra contra a República Islâmica, em fevereiro. Antes da guerra, a hidrovia respondia pela passagem de um quinto do petróleo e do gás do mundo.

Pressão sobre rotas de energia

A Arábia Saudita enfrenta uma crise após um ataque de drone lançado na quinta-feira a partir do Iraque, onde atuam milícias xiitas apoiadas pelo Irã. O ataque levou ao fechamento de um oleoduto que liga o leste saudita, rico em petróleo, à costa oeste. A estrutura se tornou importante para as exportações do país desde que o Irã interrompeu o tráfego pelo estreito.

Rebeldes houthis apoiados pelo Irã no Iêmen também lançaram, na semana passada, ondas sucessivas de mísseis e drones contra a infraestrutura energética saudita no sul do reino. O episódio ocorreu durante a retomada dos combates na guerra civil iemenita, que já dura mais de uma década.

Os houthis avançaram para o sul pela costa iemenita do Mar Vermelho e fizeram recuar forças alinhadas ao governo e apoiadas pela Arábia Saudita. O movimento buscou reforçar o controle sobre o estreito de Bab al-Mandeb, outra rota relevante para a navegação internacional.

Após a alta inicial, o Brent devolveu parte dos ganhos. Na semana passada, os preços já haviam superado US$ 100, no maior nível desde maio, em razão das preocupações com o abastecimento regional após os ataques à infraestrutura saudita.

Impasse entre Washington e Teerã

O acordo provisório entre Irã e Omã foi concebido para vigorar até que Teerã e seus vizinhos do Golfo chegassem a um entendimento sobre o futuro do estreito. A expectativa era que o arranjo ajudasse a reduzir as hostilidades entre os EUA e o Irã.

Inicialmente, o pacto poderia abrir caminho para a retomada de um memorando de entendimento de curta duração assinado por Irã e EUA em junho. O documento previa a extensão de um cessar-fogo por 60 dias, a reabertura gradual do estreito e negociações para encerrar a guerra, incluindo um entendimento sobre o programa nuclear iraniano.

Irã e Estados Unidos, porém, acusaram-se mutuamente de violar o memorando. Entre os pontos de conflito estava a forma como os navios deveriam atravessar Ormuz, principal instrumento de pressão iraniano.

Os EUA informaram aos mediadores que não voltarão ao memorando e que aceitarão apenas um acordo mais abrangente, incluindo a questão nuclear. O Irã condiciona a reabertura total do estreito à suspensão do bloqueio aos portos iranianos, ao restabelecimento de uma isenção para a venda de petróleo e ao acesso a parte de seus ativos congelados no exterior.

Embora o presidente dos EUA, Donald Trump, tenha afirmado que Ormuz está aberto, as exportações de energia do Golfo permanecem fortemente restringidas, e mercadorias não podem ser importadas pela hidrovia.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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